terça-feira, 6 de novembro de 2012

Who cares?

Pois é, voltamos a atualizar o blog, e procurando assunto, mesmo com as eleições americanas, com o rescaldo do “Sandy”, ainda acho que falta assunto, digo assunto que realmente diga respeito a nós, e não à nossa natural curiosidade.

Ora, sejamos francos, que diferença pode fazer a nós pobres mortais, aqui na terrinha, qual será o novo presidente do grande a arrogante irmão do norte? Fora as teorias de conspiração sobre a perseguição de somos vitimas de rotina, membros que somos de uma lista permanente de bodes expiatórios, vistos e definidos por eles como refúgio de radicais e outras asneiras de mesmo teor, que a cada crise é relida, nada muda seja quem for o sagrado pelas urnas nos Estados Unidos.

Mas este deslumbre tupiniquim, lembra muito os indígenas trepados em árvores vendo os portugueses desembarcarem suas contas de vidro, seus espelhos e sua prepotência colonizadora, saímos das arvores e fomos para a frente da TV, as contas coloridas nos chegam pelas mãos dos hábeis intermediários da mídia colonizada.

A irreverente revista MAD (veja como também sou colonizado, rsss), tinha como lema: “Quem, eu me importar? Alguma coisa como “Who cares? Quem se importa? 

Bem, eu não...



domingo, 4 de novembro de 2012

Das coisas sonhadas e vividas

Por vezes me sinto tentado a pensar que as melhores coisas da vida são aquelas que foram sonhadas e não as que se realizaram.

Ninguém sonha com dificuldades, com obstáculos, com sacrifícios, eles existem para impedir ou serem superados pela avaliação pragmática do desafio ao sonho.

As coisas sonhadas são sempre perfeitas, não deixam consequências ruins, pois ninguém sonha com consequências ruins, elas são produto de um sonho posto em prática na realidade.

As coisas sonhadas são perfeitas, pois são editadas por nossa vontade e desejo, são sofismas autoindulgentes, são sonhos afinal.

As coisas sonhadas são a melhor saudade, mesmo que doa, pois são o que poderia ter sido se a realidade não as atropelasse.

É, talvez eu tenha razão, infelizmente, mas as coisas sonhadas são o delírio amargo que nos lembra de nossa doce ilusão, mas são lembranças fortes e eternas, muito porque nunca aconteceram e nem poderiam pois foram o nosso duplo idealizado.



Imagem inversa e escolhas

O duplo, o dobro, o dual, a opção, a bifurcação, o binário, o negativo, o oposto.

A vida se divide em duas, em duplas e contrapontos, como de fugir de escolhas, se elas fazem parte da dualidade das coisas?

Somos um só diante bifurcações que se bifurcam geometricamente a cada escolha, novas divisões a cada decisão e opção.

Já foi dito que devemos manter as opções em aberto, mas creio que ao contrário, as opções nos obrigam a sermos abertos, pois quem não opta, não vive.

Até um espelho que deveria nos refletir exatamente, nos inverte.



Roubando a alma?

Alguns nativos, indígenas ou sei lá qual o nome politicamente correto para referir-se a eles, pois eu prefiro somente designá-los como pessoas, tinham a crença de que a fotografia que o branco trazia lhes roubaria a alma se para ela posassem.

Curioso, mas com muito fundamento, empírico, espiritual, atávico, difícil dizer, mas com fundamento sem dúvida, pois imagens colhidas de momentos vividos eternizam situações, roubando-lhes a continuidade, congelando e cristalizando.

Seja em preto e branco, dualidade da vida, seja sépia, tempo da vida vivida, seja em cores, promessa de vida, a fotografia sempre eterniza a alegria, a dor, a vaidade, o instante, o perene, o fátuo, o continuo, o registro de algo que passou e redesenha o momento permitindo que este seja revivido a cada vez que é mirado.

É, sem dúvida, se não rouba a alma, pode aprisioná-la em um momento qualquer.


Eu acredito

Eu acredito, e acredito mais ainda quando não tenho porque acreditar.

Eu acredito porque acreditar é duvidar do impossível, do difícil, do improvável, duvidar do curso natural das coisas.

Eu acredito no que não deveria acreditar. 

Eu acredito no que não poderia acreditar.

Eu acredito no inacreditável, porque acredito no paradoxo.

Eu acredito que não devia acreditar no que acredito, por isso eu acredito.

Não acredito na esperança, pois acreditar nela é duvidar daquilo que acredito.

Só não acredito no que disse acreditar, mas lembrem de que acredito no paradoxo...



                                                                                              

Noite

Desbravando a noite, embalado por seus ruídos ocos e surdos, andando a luz de velas apagadas.

A noite é uma espécie de metáfora do limbo entre dias, tem vida e regras próprias, é um tempo de espera e medos novos, tempo oculto, antítese oblíqua do dia, contraponto do previsto e visto, a noite é uma silhueta do dia, mas silhuetas nem sempre são fiéis à imagem que as gera.

De dia se anda para algum lugar, na noite só se anda.



sábado, 3 de novembro de 2012

Insegurança cartesiana, um triste paradoxo

Usando Virgílio sem pudor do plágio, creio se não posso ter o céu, reinvento e reescrevo o inferno, nele me queimo e imolo, e dele saio diferente, nem novo, nem velho, só com o gosto das cinzas na boca, a alma molhada e o coração seco, sem mais querer ter asas, pois não saberia mais para onde voar...

Beber na fonte de Virgílio, lambuzar-se de Santo Agostinho e lhe fazer eco em dizer que; “a medida do amor é amar sem medida”, pois pobres são os prisioneiros da razão que se debatem no labirinto da lógica, cartesianos perdidos na floresta de suas certezas, na eterna procura de uma dúvida que lhes ilumine a vida e os salve do aceito e bem medido, vivendo da dose exata da insatisfação, com o medo perene do inesperado, do imponderável, do imprevisível, da vida enfim.


Nem?

Montes, metas e muros, morros mortos, meio verso, meio lógico, meia vida.

Medo, meço e miro, muito mais seria, muito menos que meio, pouco.

Maior, menor, mirante, minto que espio, mente e muda, na muda palavra sem rima.

Manhã, amanhã, fim.

Sem pé, sem métrica, com cabeça, meu em mim.

Nada não, deleta, perde e esquece.

Nem nunca.

Nem.

Né?

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Antes das coisas terem nomes

Houve uma vez, numa época distante, uma era de magos, fadas e bruxas, quando vivia a terra sua primeira infância. Tudo era mágico e irreal, a realidade era surreal, a lógica ainda não existia e tudo o que era sonhado acontecia.

Não existiam conflitos entre emoção e razão, pois razão foi um freio inventando depois, para que o coração humano não explodisse só com a emoção. Não era um paraíso, pois não havia como comparar o que era bom ou ruim, as coisas aconteciam no tempo, intensidade e dimensão que tinham que acontecer. Não era um paraíso porque o inferno ainda não tinha sido inventado, e o que era bom ou ruim não precisava ser descrito, era só sentido.

Neste tempo mágico, as emoções se atropelavam, como se num frenesi alcoólico estivessem, passando de uma para outra, variando intensidade, se misturando, se confundindo em um imenso delírio sem limites e fronteiras, pois ainda não tinham sido inventados os rótulos e os nomes das coisas. Isto só veio depois.

E quando esta época acabou, dela não se guardou lembrança, saudade ou lamento, pois estas coisas ainda não tinham sido inventadas.

Pensando bem, nunca existiu esta época, pois para que ela tivesse existido, teria que ter sido inventada, e nesta época estas coisas não tinham sido inventadas.


Escrever é um ato mágico?

Estava assistindo a um filme hoje à tarde, aproveitando o feriadão, um bom filme com uma história bem interessante, mas não é este o objeto de meu comentário, ele se prende a uma frase dita pelo personagem principal, um escritor.

Dizia ele que escrever é um ato mágico, e que as palavras não vem de você, e sim através de você.

Penso que sim, penso que seja exatamente assim. Não que me considere um escritor, pois tenho a consciência, sem falsa modéstia, de estar muito, mas muito longe disto. Eu apenas escrevo como se falasse, falasse para mim, de mim e através de mim.

Perguntaram-me se alguns de meus despretensiosos textos eram autobiográficos. Respondi que sim e não, pois se acredito que palavras possam vir através de mim, inevitavelmente passaram por experiências próprias vividas, ou pensadas, sonhadas, lidas, sei lá, mas que de alguma forma e em algum lugar se fixaram dentro de mim, para ganhar vida em algum texto posterior, sem que eu as pudesse acessar ou tentar acessar conscientemente, só vieram e lá ganharam forma expressa.

Na maioria das vezes eu começo alguma coisa sem ter uma ideia clara de onde quero chegar e nem como, só vou convivendo com o caminhar do texto e aceitando-o, gostando ou não, identificando-me ou não com que lá está.

Sem dúvida, ao menos na minha visão bem amadora, escrever é um ato mágico.


 

Finados

Só para lembrar:


O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca. 

É celebrar essa vida eterna que não vai terminar nunca. Pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre. 

Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava.

Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia por ano aos mortos.


 Desde o século XIII, esse dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro é a festa de "Todos os Santos".

O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. O Dia de Todos os Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.

Mons. Arnaldo Beltrami – vigário episcopal de comunicação
Fonte:
http://www.arquidiocese-sp.org.br

 

Intervalos ou lapsos?

Andando pelo centro da cidade e assistindo televisão, pude observar que o Natal já chegou. Fui até conferir no calendário, afinal eu poderia ter sido vítima de um lapso de tempo tão comum em filmes de ficção cientifica, mas não, de fato ele chegou.

Bom, brincadeiras a parte, a verdade é que o comércio vive destas datas especiais e outras nem tanto, mas vale tudo para vender mais, nada contra, é só uma constatação, apesar muito particularmente considerar esta profusão de dias disto e dias daquilo, como deslavados caça-níqueis, mas a verdade é que funciona.

Oe seja, esta ânsia por dias especiais, por datas comemorativas, sempre me soou como uma espécie de insatisfação perigosa. Muita gente pauta a vida pelas datas, quando é nos intervalos entre elas que a vida se dá. 

A ansiedade pela próxima comemoração faz com que a vida escape entre os dedos nos intervalos, sem que a gente perceba.



Nonsense

Sim, bem assim, deste jeito mesmo,

Não, nunca foi, nem poderia.

Sim, foi e será, sem que queira ou possa,

Não, nada a ver.

Não precisa fazer sentido, não precisa ser entendido, não precisa ser lógico, não precisa.

Não é preciso, é incerto, não é lógico, é humano, não é razoável, é viável, é o que é, sem ter como nem por que, só é, solto no delírio das palavras, afogado na confusão da lembrança errática.

O que é? Nunca soube e nem quis saber e se soubesse não entenderia.

Caminhando contra o vento, sem lenço e com alguns documentos, na chuva de novembro, eu tento ir...


 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Do amor e outras coisas

Todos os amores que tive, e não foram poucos, foram de todas as cores, sabores e sons, foram doídos, foram doces, foram rápidos, demoraram, alguns intensos e pesados como um vinho do Porto, outros leves e suaves e de sabor travado como um suco de lima da Pérsia, foram muitos, os que tive, os que quis ter, os aconteceram de verdade e os que sonhei, foram tantos que são maiores que minha lembrança.

Mas dentre eles, um foi maior, não pela intensidade, ou pelo tempo, ou até pela promessa de mais, não, não foi por isso, foi maior pela capacidade de sintetizar todos os que tive, somá-los, resumi-los e esquecê-los, lançar um manto mágico sobre eles, deles extrair a essência e dela se perfumar, dela se embriagar e nela se fazer.

Romântico, piegas, óbvio? Tudo isto e nada disto, só um exercício pobre de delírio literário de folhetim barato, pois nada é como devia ser, e ao mesmo tempo é, pois o nada é o terreno fértil dos sonhos.


Labirinto

Mato fechado, cheiro de chuva, sombra de nuvem, lama na trilha, sol envergonhado, tempo molhado, vida em suspenso.

Tempo de espera, de aguardo, tempo medido, pensado e descartado, tempo marcado.

Fim de caminho, certeza de saída, dúvida de chegada, labirinto.

Asas de Ícaro, derretendo ao sol da desesperança.