segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ver a vida por um vão, nunca é vê-la em vão...

Cheguei a um momento da vida em que acreditei já ter visto muita coisa, claro que não tudo, mas que só faltariam algumas janelas, pequenos vãos, esquinas, uma ou outra porta menor, com segredos menores talvez.

Mas, de repente, de um vão esquecido atrás de uma estante, coberto por uma cristaleira antiga, havia uma janela, não uma janela qualquer, a janela, uma janela que desafiava a física, pois era maior que a parede.

E de um canto de sala, e de um vislumbre inicial desta janela, via-se um campo, bosques, florestas, e naquela hora o canto escuro passou a ser só uma referencia abstrata, o canto da sala antiga era o canto do mundo, e o mundo transformava o canto em centro e a geometria cedia e renunciava prazerosamente aos meus sentimentos.

Nada mais fazia sentido, porque tudo era o sentir, e o sentir é sempre sentido, e o que é sentido, sempre faz sentido...


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Brasil: Piada pronta e de mau gosto?




Por vezes acontecem algumas coisas que fazem com que eu reflita sobre alguns aspectos de nosso país.


Por exemplo: nunca tive a pretensão de que o Brasil fosse sério, assim como Serra Leoa, Libéria, Afeganistão sob ocupação e etc. Sei que ainda estamos longe deste perfil de honestidade e vergonha na cara, e vejam, não falo de Suíça, Suécia, Dinamarca, e outros, que todos sabemos que não existem, estes ditos “países” e suas virtudes, são para nós como Papai Noel, Coelho da Páscoa e coisas assim, pois logo que ficamos adultos percebemos que estas coisas são só vingança da "direita raivosa", que teima em envenenar os nossos virgens e absorventes cérebros sedentos de “sangue e luta”, mote amado por quem derramou pouco sangue e pouco lutou, e hoje em dia exibe orgulhoso (?) cicatrizes feitas com a henna do engodo e relevada pela má e falha memória endêmica que assola estes curiosos trópicos.


Somos consumidores ruins e quase otários, se bem no caso da telefonia celular, principalmente a TIM, que em um país sério, teria seus diretores explicando-se na barra dos tribunais por apropriação indébita, de fato neste aspecto somos completamente otários, e se alguém desta ”ínclita” empresa tiver dúvidas, tenho todos os recibos comigo.


Somos eleitores preguiçosos, despreparados e nem estamos ligando para política, a não ser para tirar fotos e publicar em redes sociais. Tudo bem, eu entendo e não critico, faz parte do hedonismo inerente ao ser humano, só não consigo ver nisto nenhuma plataforma política, a não ser o salto alto das meninas que fazem pose nas fotos.


Somos barulhentos e inconsequentes, o eco de nossa indignação não dura até o final do grito, mudamos de ideia o tempo todo, não por sermos abertos aos novos conceitos, mas porque na maioria das vezes os conceitos são somente slogans atraentes e alguns nem tanto.


Quando leio criticas feitas a militantes que atravessam décadas defendendo suas ideias, me revolto, pois mesmo não concordando com estas ideias, reconheço coerência, profundidade e seriedade.


O novo não é bom porque é novo, o bom, para ser bom, tem que ser bom, novo ou velho.


Pois é, por mais triste que me sinta, desconfio que o nosso Brasil de hoje seja uma piada pronta e de mau gosto...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um viva aos sumo sacerdotes da asneira!

Olá amigos, depois de algum tempo, e continuando a não cumprir a promessa que fiz de atualizar regularmente o blog, o que é uma prova forte para meus inimigos de que não tenho palavra, ao menos neste particular, rsrsrs, volto a fazê-lo, e sob os auspícios combinados de dois fatores; uma providencial e inadiável ida ao banheiro e as revistas Elle e Vogue.



Devo dizer, e me penitencio por isto, pois não sou muito seletivo em minhas leituras neste sacrossanto aposento da casa, que já li desde bula de Paracetamol até discurso do Aécio Neves, passando por artigos escritos (???????) pelo Lula..., mas tudo bem combinam com o objetivo de lá estar, se bem que os exemplos citados o superaram e em muito...


Bom, mas voltando as ditas publicações supracitadas, que lá estavam com certeza como fruto de alguma vingança tipicamente feminina, resolvi folhear. Pasmo profundo! É claro que nunca tive a pretensão de encontrar nestas revistas alguma coisa mais profunda e com conteúdo, assim como um gibi, do Zé Carioca ou do Pato Donald, ou até, suprema pretensão, da revista da Monica. Sabia que o nível era inferior.


Mas para minha surpresa, foi um terrível engano e uma pavorosa descoberta. Saibam caros amigos e raros leitores, que estas revistas, fazem parte de um complô internacional da extrema esquerda, a mais bovinamente radical, financiada com recursos de uma "grande potencia industrial" de esquerda, a Coréia do Norte, aquela que comprou o Mickey, isto caro amigo, ela mesmo, que de vez em quando ameaça com uma "bombinhazinha" nuclear, só para afastar o tédio de seu líder brincalhão...


Sim, pois estas publicações ou serão provocações, não sei, pregam a imediata revolta e rebelião das massas, desde as massas só com molho de tomate pronto até as com Brie e trufas negras, tal a asneira, ignorância, e analfabetismo dos textos lá publicados, ou seriam cometidos, sei lá.


Futilidade eu entendo, e devo dizer que até gosto de uma certa dose de futilidade e supérfluo, é bom, é gostoso, e se levar a sério e, levar tudo a sério o tempo todo é muito chato, é um saco, é muito bom ter um pouco de frescura e besteira.


Mas, e concluindo, a maioria dos redatores, eu disse redatores?????????????????? Perdão redatores, a maioria dos pacientes em recuperação de lobotomias mal sucedidas que assinam, ou melhor, que marcam com um X as “matérias” lá cometidas, deverão ser responsabilizados perante os tribunais da “grande revolução mundial”, que fatalmente acontecerá em breve se as pessoas de carne e osso, que trabalham, vivem e lutam, lerem aqueles disparates preconceituosos e estúpidos cometidos pelos imbecis que respondem (será?) pelo culto ao exagero ofensivo e agressivo de incensar idiotices.



E não venham me falar em nichos ou em liberdade de expressão, senão serei obrigado a relembrar, para aqueles que ainda sabem ler, da famigerada publicação nazista “Der Sturmer”, que pregava o ódio aos judeus e a burguesia com caricaturas infantis e risíveis, nas décadas de 1920 até 1945, e que em seu inicio foi ridicularizada como asneira rapidamente descartável, e depois a história se encarregou de contar as consequências.


Mas tudo bem, me disseram que a mulherada nem lê os textos, só olham e curtem as fotos relativas à moda. Legal. Deve ser como nos tempos idos, quando a Playboy trazia textos sobre as coelhinhas que ninguém lia, em que pese mentíssemos que só comprávamos a revista pelas reportagens e entrevistas...


Redator da ELLE almoçando...

 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professor!

Ao longo da minha vida, e põe longa nisto, rsrsrs, me orgulho de muitas coisas que FIZ,, de outras nem tanto, e de algumas me arrependo profundamente.

De tantas coisas que VIVI, de algumas gosto de lembrar, de outras tento esquecer.

Das profissões que TIVE, muitas me gratificaram, outras cobriram buracos.

Mas de todas as coisas que FIZ, VIVI e TIVE, uma delas nunca tem reparo nas minhas lembranças, fazem parte do arquivo das coisas boas que você acessa em tempos ruins, é parte de mim, foi o melhor que pude ser, foi ter sido PROFESSOR (com maiúsculas mesmo, porque a profissão assim exige), e só pude experimentar este privilégio, porque os que tive, professores, assim o permitiram!

Feliz Dia do Professor!

Um país sem educação é só um bando de gente com interesses comuns morando em um mesmo lugar!


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Deu!!!!

Eita!!!! Banqueiros safados, gente tentando me converter pelo cansaço repetitivo, o pavoroso "partiu", política a cada dia mais nojenta, vereadores sem noção e eleitos por gente sem noção, roubalheira descarada, masturbação pseudo-intelectual e outras coisas mais! Vou me exilar na Mongólia ou procurar ouro no Alaska!

Enchi o saco de tanta "certeza absoluta", de tanta convicção pobre, de tanta militância burra e apaixonada, de tantos estúpidos erros de gramática, de tanta doutrinação rasa, de tanta indignação treinada em frente ao espelho de casa, de tanta volúpia em opinar, mesmo não tendo a menor base, reflexão ou mínimo conhecimento, de tanto fake, de tanta emoção emprestada, de tanta asneira, que chego à conclusão de que errado estou eu, que o cego e insensível, sou eu, eu sou o idiota incapaz de entender que assim as coisas são, e que fico remexendo no meu caldeirão de lembranças de outros tempos, cuja poção nem placebo de segunda mais o é!

Meu tempo passou e teimo em não ver!


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Avesso acordado


De tanto pensar, muito querer e pouco poder, tornei-me o avesso gêmeo do verso distante, quando acordo sonho, vivo enquanto durmo.


 
 


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Assim são os loucos...

Amigos, quanto mais eu vejo, leio e ouço tanta obviedade, tanto incenso enjoativo sendo queimado no altar da sanha insana do politicamente correto, mais se apequena a minha já rara esperança em tempos melhores.

De tanto ver “touros” jovens se imolarem no altar da conveniência, do retorno pequeno e fácil, da aceitação fóbica em prol da tribo, qualquer tribo que os tirem do relativo isolamento do livre pensar, que os tornem membros de uma boiada que acredita seguir seu caminho, quando somente seguem o canto suave das raposas, minha crença míngua.

São tantos e tão exaustivamente repetidos os clichês, que se tornam mantras de gritos no vazio, porque só gritam para fora e tem medo de sussurrar para dentro de si mesmos, e quando tentam fazê-lo, o fazem tão baixo que não mais ouvem e com isto, o desencanto se torna inevitável.


“Perdão, mas tenho que recorrer ao dito “maldito”, Jack Kerouac, que no fundo de seu desencanto não perdeu a perspectiva, mesmo que dela não precisasse, por enfado ou por "desimportância", mas que assim um dia escreveu:

“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”

Lamento pela lenta e quase imperceptível morte dos loucos, lamento pelos pinos certos nos buracos certos, lamento a lucidez do gado tangido.

 
 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tirem as crianças da sala, ops, das redes sociais...

Mais uma agora, eita, tenho lido que em face a criticas feitas ao prefeito municipal, Reni Pereira, está surgindo uma reação indignada de seus apoiadores, principalmente nas redes sociais, leia-se o Facebook.

Ah, então tá. Quer dizer que é proibido criticar? É preciso falar que a cidade está ótima e etc.?

Não, não está, está com muitos problemas, novos e antigos, só que os antigos não podem ser varridos para baixo do tapete, ou foi firmado um compromisso de posse em que o prefeito atual só responderia por problemas acontecidos após a sua posse?

Ou seja, o melhor de dois mundos? Só assumiu o ativo e nada do passivo? Candidatou-se sem saber dos problemas quase centenários da cidade? Pensou que estava assumindo uma nova “Xangrilá”?


 Poupem-me! Quem assume um cargo público após uma acirrada disputa, e pode por acirrada nisto, está fazendo um favor a nós munícipes? O de nos salvar dos desmandos “terríveis e danosos” do antigo prefeito?

Se não respeitarem nossa independência de pensamento, ao menos respeitem nosso QI, o que é bom, é elogiado, o que é ruim deve ser criticado, o resto é asneira de cabo eleitoral.

O prefeito atual, a quem conheço de algum tempo e sei de sua ponderação, deveria frear estes arroubos de puxa-saquismo em seu próprio bem, pois só contribui para irritar os críticos independentes que querem apenas o melhor para cidade e esperam com boa vontade que ele o faça, sem esta militância político-partidária primaria e infantil.

Quando os elefantes brigam... II

Então amigos, respeito a iniciativa dos bancários, estão exercendo o seu direito. Respeito mais ainda a líder deles em Foz, a combativa, competente e equilibrada Cristina Delgado. Entendo, mas não respeito muito a FEBRABAN, que mais parece uma Máfia do que uma entidade patronal, mas vá lá, está defendendo seus interesses legítimos, se morais ou não, é outra discussão, mais legítimos o são, sem dúvida.

O que não entendo e não respeito é o que acontece conosco, os manés de sempre, que pagam as contas das brigas dos outros.

Se os trabalhadores vencerem, os benefícios serão deles. Se os empregadores vencerem, os benefícios serão deles. E nós? Ficamos com a conta dos transtornos, vença quem vencer? É justo?

A grande pergunta, que sobrevive aos proselitismos políticos, sindicais e todos os adjetivos qualificativos que queiram é:

O QUE EU TENHO QUE VER COM ESTA BRIGA?????

Brotam entrevistas nas TVs com membros do PROCOM, dizendo isto ou aquilo, como contornar esta questão e etc., aliás, muitos e ineficazes comentários deste teor, bem intencionados quero crer, mas ainda ineficazes...Mas a verdade é que ninguém consegue pagar contas, por uma razão mais simples do que os abnegados funcionários dos Procons pensam...:

NINGUÉM CONSEGUE RECEBER!!!

No mais, tudo como sempre foi, vale o dito africano; quando os elefantes brigam, nós, a grama rala e queimada pelos abusos de sempre, sofre...




 

 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Gelo partido

Desliza lisa no espelho polido, risca, rasga, marca o chão de vidro, corre contra, encontra e conta o que viu no reflexo.

Sai e perde, se perde, se vê e não se enxerga, procura o reflexo perdido no oposto da visão roubada na profundidade do espelho, que fende e esconde, revela só o que quer ver.

Busca a razão até perceber que a razão é a busca, e então novamente desliza, risca, arranha, cai e quebra, lisa, no reflexo partido.

 


Realismo fantástico

Pois é amigos, volto a minha atividade bissexta e muito esporádica, menos que bissexta eu diria, mas vamos lá.

Soube, dias destes, que na poderosa Globo está passando um remake da novela Saramandaia. Tudo bem, para quem gosta, legal. Mas o que chamou a atenção, e me refiro à primeira versão, a original, pois esta ainda não assisti, é que apresenta um roteiro escrito sob as fumaças do chamado realismo fantástico, “gênero” criado ou utilizado, ou vá que seja, adotado pelo genial Garcia Marquez.

Nada mais próprio e atual. Neste rico e folclórico país, já passamos pela euforia cívica, pelo drama rasgado, pelo drama enfeitado de superação, pelo realismo pragmático, por todas as siglas bastardas, que teimam em negar o seu significado, que convenhamos, virou um diletantismo irrelevante, mas agora enfim, quem sabe não chegamos mais próximos da realidade brasileira.

Não somos completamente surrealistas, pois o pé de chumbo no pragmatismo, que por estas bandas está mais para esperteza explicita que qualquer outra coisa, impede, mas realismo fantástico casa bem conosco.

Quando você presencia o que está acontecendo no Supremo, tudo dentro da lei, na estrita observância da lei, me pego a pensar em leis feitas e implantadas pela Rainha de Copas, com um coelho curioso a rir sarcástico, somos o país das maravilhas, sem buraco a se esconder e com um chá fraco servido.

Nada do que se discute hoje neste paraíso tropical resistiria a um terceiro e pueril “por quê?”

Então amigos, um vereador vestido de roupa cor de rosa e montado a cavalo, é só uma pequena e inofensiva cena, situada no núcleo humorístico desta grande novela, um pé de página no enredo, nada mais que isto, de causas fracas e consequências menos importantes ainda.

 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Topless e mensalão, tudo a ver?

Esta nossa pátria amada é mesmo um grande país, grande em tudo, no tamanho, na riqueza, no potencial, no povo, nas coisas boas e más, na inteligência e na asneira.

Tive um acesso de riso, meio amarelo é bem verdade, mas mesmo assim tive que rir. Ao entrar no UOL, ao lado de uma chamada para acompanhar as discussões no Supremo sobre o mensalão, que, diga-se de passagem, anda meio que assumindo um certo aspecto de guerra de egos, se bem que inserida em um importante e fundamental tema, que mais do que político, vejo como ético, para não dizer policial...

Mas voltando ao assunto, meus caros amigos, bem ao lado me deparei com uma enquete “preciosa”, onde era perguntado se você, pobre leitor, era a favor, contra ou indiferente ao topless em público!?!

Nos tempos de hoje cabe uma reflexão: Topless masculino, feminino ou indefinido? Sim, não ria caro amigo, nestes tempos, tudo precisa vir acompanhado de uma explicação, pois os usos e costumes estão mudando e muito.

Bem, como já passei dos 50, e ainda sou hetero, apesar da pressão do governo, imagino que a “pesquisa”, deveria referir-se ao topless feminino, espero, e neste caso, devo responder como um tio muito querido meu o faria: Depende!

Depende do seio, é claro, e se são bonitos não ofendem, mas podem chocar os mais “virtuosos”, ou até irritar algum cirurgião plástico, se naturais forem, mas cabe a pergunta meio sem vergonha:
Mostrar em público para que? Campanha de aleitamento materno? Propaganda de prevenção ao câncer de mama? E mais outros vários motivos nobres. Agora se é só exibicionismo, ainda cabe o segundo por quê?

Bem cada um com seu cada qual, eu preferiria ver em público os seios desnudos de nossa pátria mãe gentil, pois desta forma poderíamos ver e identificar alguns de seus diletos filhos mamando em seus (nossos) generosos e fartos seios, assim como no julgamento do mensalão, de topless...

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Avatares...

“Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo”!

Frase por demais conhecida e repetida até a exaustão que foi extraída da peça Ricardo III de Shakespeare e atribuída ao até então rei da Inglaterra no final da batalha decisiva da Guerra das Roas.

Em que pese a história não lhe seja muito simpática, tendo o condenado inclusive, ao menos a coragem ou obstinação do infausto rei, nesta batalha final, foi reconhecida.

Mas o ponto não é bem este, lendo até o final, ele fará sentido, espero...

As redes sociais vieram para ficar, e mais que ficar, para determinar comportamentos, para pautar a mídia tradicional, ou seja, botaram poderosos amplificadores nas praças do mundo inteiro, unificaram a língua, moldaram a nova comunicação, que veio definitivamente para ficar, para o bem ou para o mal.

Mas, como subprodutos curiosos, geraram a exposição de “sentimentos sentidos” ou imaginados, ou desejados e até copiados, destravaram línguas, detonaram pudores, criaram um imenso divã de psicanalista.

É um tal de fratura exposta e “curtida”, quando não “compartilhada”, que mesmo a carne viva mostrada, deixa de ser lamento e vira bandeira, slogan de superação, sublimação, e mais todos os demais fartos adjetivos que tentam identificar, quando não saudar, as mais antigas e comezinhas dúvidas e angustias humanas, sob nova embalagem, pois "fakes", em maior ou menor medida, todos nós não deixamos de ser...

Logo estaremos todos nós, “avatares”, vestidos com nossos personagens, e esquecidos disto, amontoados em frente a uma tela de computador, assistindo encantados e perplexos a algum documentário do século passado, sobre alguma coisa que foi banal, com o embevecimento de estarmos assistindo um grande filme de ficção.

Portanto, resgate-se e parafraseie-se Shakespeare:

“Algo real, algo real, minha sanidade por alguma coisa real!”!




 

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quartos escuros

Sentados em quartos escuros e escutando o som forte da luz esquiva.

Sentados em quartos escuros vendo a força do vento, que levanta e faz girar as cortinas de neblina com cheiro de mato molhado.

Sentados em quartos escuros esperando as janelas se moverem, janelas que nunca se abrem, janelas escuras como o quarto.

Sentados em quartos escuros de costas para portas que nunca existiram.

Sentados em quartos escuros, esperando.

Sentados em quartos escuros.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Meu candidato para 2014!


E lá está ele, firme, tranquilo, sereno, absoluto, o impávido poste. Muito cioso de sua importância, de sua utilidade. Poste que no passado foi tachado de intruso ao atrapalhar a paisagem, obstruir a visão do verde luxuriante e benfazejo.


Pois é, hoje em dia, fora alguns ecologistas e os quase anacrônicos admiradores da natureza urbana, poucos se importariam com a derrubada de uma árvore incômoda, já um poste que seja derrubado por algum acidente, pode deixar ruas e até um bairro sem luz, fone e internet.

No passado recente, ao descrever um político com muito prestigio, dizia-se dele que este seria capaz de eleger até um poste! Uma maldade que os novos tempos se encarregaram de punir. Vejam vocês, um poste é altamente elegível, e desconfio que com mais facilidade que muitos postulantes a algum cargo público.


Um poste é o que é, sua utilidade é indiscutível, ele é absolutamente transparente em seus propósitos, não decepciona ninguém, pois invariavelmente cumpre o que promete, estabelece laços com a comunidade, pois leva luz e outras coisas, possibilita a união entre as pessoas, pois é um indiscutível elo entre ele e outro poste, nunca trai seu parceiro, tem a convicção e a postura de que é parte de uma corrente maior em prol do bem comum de uma rua ou de uma comunidade.


Portanto, cuidado analistas políticos ao afirmar que alguém poderia eleger um poste, pois penso que atualmente é mais fácil um poste eleger algum dos candidatos que estão brotando por baixo das pedras por aí, que o contrário...