segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Do tempo e das coisas que cegos acreditamos...

E de repente o mundo se transformou novamente. Não que ela lembrasse com clareza do tempo em que percorria, arrastando-se pelos os galhos duros das árvores, talvez tivesse sido assim, talvez não, é mais provável que tivesse sido um sonho, bom pela luz, mau pela pouca mobilidade, não lembrava mais, as fronteiras tinham perdido suas referencias.
Sua vida recente era seu casulo, seu mundo, seus limites, sua zona de conforto.

Mas ele começou a ficar pequeno, cada dia menor, ela não tinha como entender e talvez nem quisesse, se o casulo diminuía ou ela crescia.

Um dia a luz invade seu útero externo, luz que para sua parca memória ou delírio, afinal era somente uma lenda perdida entre tantas outras alimentadas pela escuridão úmida, mas confortável onde vivia. Era o que ela tinha, era seu mundo, não se sentia infeliz porque não lembrava mais de como era antes.

Na busca de mais espaço, para combater o desconforto, descobre que tem asas. O casulo de desfaz em pó e na primeira gota da chuva recente ela se vê na folha molhada. Ela tem cores que nunca ousou imaginar, ela tem asas que nunca sonhou, pois nunca soube que existissem.

E então voou e voou, a esmo, à toa, voou pelo prazer de voar, amou, reproduziu-se, gerou e continuou voando, voando como um Ícaro alucinado atrás do sol e da luz e voou para muito longe, mesmo não sabendo o que era longe ou perto. Viu as flores, delas provou, e viveu mais em pouco tempo o que havia vivido em toda a sua vida.

O tempo não deveria ser medido como um cárcere, o tempo é uma experiência, uma vivencia que não pode ser medida em horas ou anos e sim em intensidade.


 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Paradoxo ou regressão cultural e política?

Reli, talvez pela quinta ou sexta vez, não sei dizer, a magnífica biografia de Assis Chateaubriand, escrita por Fernando Morais e intitulada “Chatô – O Rei do Brasil”.

Devo dizer que um certo ranço esquerdista permeia a obra, mas sem comprometê-la em absoluto. O ranço da direita é mais óbvio, mais primário, me arrisco a dizer, já o da esquerda é mais sutil, lento e fluido, mas ainda um ranço e incomoda.

Bom, mas o objetivo deste comentário é uma questão curiosa e recorrente: Por que temos que ser dicotômicos? Somos pétreos cartesianos sem sequer conhecer a obra de Descartes! Perdão, mas creio que ao menos a maioria que pontifica montada em certezas profundas, com certeza nunca o leu!

É do ser humano o contraditório, inclusive o íntimo contraditório.

Chateaubriand construiu um império de comunicações sem igual até hoje. Só isto já seria mais que suficiente para seu epitáfio.

Imperadores, e aí valem para todos que ao longo da história construíram impérios, não podem ser julgados a não ser por outros imperadores ou pela história.

Quando leio julgamentos “gordos” de razões fátuas, de pontos de vista expressos com tons de verdade absoluta, me envergonho. Sinto vergonha de minha condição de ser humano que tenta ter a suprema e talvez indevida pretensão de pensar.

Uivos messiânicos, ranger de dentes e o cultivo artificial de slogans e de tomadas de posição pagas, e mal pagas, parecem-me somente gado tangido pela vaga promessa de pasto, e isto me deprime.

Deixo com vocês as palavras de D. Helder Câmara sobre Chateaubriand, aliás, D. Helder, independente de suas posições políticas, foi alguém que honrou sua condição de brasileiro, pois certo ou errado, ele foi um dos brasileiros que nos redimem com sua incrível lucidez e até em seus arroubos, por vezes, incontidos, das antas que assolam a nossa mídia e infestam as redes sociais.

Mas vamos lá, um pouco antes da morte do jornalista ele disse:

"De Chateaubriand se pode dizer o melhor e o pior. Haverá quem diga horrores pensando nele, mas como não recordar as campanhas memoráveis que ele empreendeu? Dentro do maquiavélico, do chantagista, do cínico, o Pai saberá encontrar a criança, o poeta. Deus saberá julgá-lo.”

E eles eram inimigos políticos ferozes, só que não eram pequenos, tinham o tamanho do Brasil que depois se apequenou para acomodar as questiúnculas paroquiais que nos fazem mesmo que grandes economicamente, nos tornam bobos enfatuados culturalmente...


 
 

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Copa do Mundo e política..., mas só aqui??

Falam em politização da Copa do Mundo de 2014 como se fosse uma invenção brasileira em ano eleitoral, e uivam o seu descontentamento quase messiânico. Tudo bem é sim, é politiqueira sim, penso eu. Mas foi a primeira vez na história das Copas?

Vamos tentar ler um pouco da história e refletir.

Fora a de 1930, que cartesianamente não pode ser definida como tal, as de 1934 e 1938 foram vitrines descaradas para o fascismo italiano. A de 1950, aqui neste mesmo Brasil varonil foi de um ufanismo nacionalista de envergonhar um Galvão Bueno, tarefa das mais difíceis...

As de 1954, 1958 e 1962, foram neutras, salvo alguns compreensíveis arroubos tupiniquins, estas coisas como pátria de chuteiras, resgate de uma raça tida como “mestiça” e que por isso sofria de complexo de inferioridade e outras asneiras similares.

A de 1966, a Inglaterra, em baixa no futebol mundial e começando a respirar os ares mais leves do pós-guerra e amargando o pós-império, tinha que ganhar, nem que a Rainha calçasse chuteiras e envergasse a camisa 9 do English Team.

A de 1970 fez mais pelo golpe de 1968, que alguns teimam em dizer que foi em 1964, que foi ainda um ensaio, fez mais pelos militares que qualquer OBAN, funcionou como um poderoso anestésico injetado na fraca consciência nacional.

A de 1974. Foi um saudável interlúdio, logo seguida pela de 1978, onde a receita de 1970 foi novamente aplicada e com êxito.


Na de 1982, nada de ruim a comentar, mas a de 1986 foi transferida as pressas da Colômbia para o México pelas razões que todos conhecemos. Normal em 1990, seguida da de 1994, onde poderosos grupos, alguns latinos, imaginavam que com a Copa alavancariam o “soccer" nos USA.

Na França, a de 1998, tornou-se um dos maiores mistérios e prato farto até hoje para as mais elaboradas teorias de conspiração. Em 2002, dois países, viagens intermináveis, erros inacreditáveis de juízes e etc.., além de reforçar a imagem dos dois maiores aliados dos Estados Unidos na região.

Em 2006, normal, fora o fato de celebrar uma Alemanha novamente unida e forte, e deixar claro para o mundo isto...

Na última, em 2010, a escolha da África do Sul como sede pode ter todos os méritos do mundo, menos o esportivo, e a conta ainda vai ser cobrada no mínimo pelos próximos 30 anos de sua população.

Portanto, que espanto é este com o que está acontecendo aqui no Brasil? Ingenuidade, plataforma política, tédio ou só solidão que as redes sociais parecem atenuar?


A Arrogância do Poder

O polêmico e politicamente incorreto, para alguns, senador norte-americano W. Fulbright escreveu um livro, a meu ver antológico, chamado “A Arrogância do Poder”, mas que na época foi visto como alarmista e parcial, pois o associavam ao momento político de então, devido aos conceitos radicais que expressava, Porém o tempo mostrou, que assim como os bons vinhos, ganhou valor e brilho, não pelos conceitos, mas pelo que hoje é visto como até profético.

Devo dizer que discordo de quase tudo o que escreveu, como escreveu e porque escreveu.

Mas quem não o leu, modestamente recomendo. Creio ainda, que para alguns servirá como um espelho, nada agradável, mas um espelho honesto.

O grande risco do chamado “oportunismo político”, ou pior, "pragmatismo político" é sua fronteira frágil com a traição, com a mentira oficial, com o desprezo pelos que os colocaram no poder.


Mas o pior não é isto, pois os malefícios se voltariam, assim esperamos, a quem os enganou, e isto acontece, nem tanto quanto deveria, mas acontece, o problema é que demora, e se decepção pode ser gestada e tem ciclo de crescimento, a dor não. A dor é imediata, não respeita argumentos, não tem paciência, não tem hora. Só dói, só exige, só existe.




Nelson Mandela - Um Homem




Na minha ótica, distorcida para alguns talvez, que o deificam e outros que o demonizam, lamento por ambos, mas penso que Mandela foi um grande homem.


Fez composições políticas que eu não faria, tolerou o que eu não toleraria, cedeu o que eu não cederia, resistiu ao que eu não conseguiria resistir.


Foi hábil como político, mudou a imagem de um país perante o mundo, provou que a tolerância, mesmo que amarga, é um bom remédio e funciona.


Sua história de vida e resistência são exemplos infelizmente raros.


Resta saber se cumpriu a inevitabilidade do que lhe foi imposto, do que não podia mudar e sentiu que a resignação era a única alternativa. Mas saiu-se bem, cumpriu o papel de ícone, que penso nunca não ter pedido, mas que os tempos lhe impuseram.


Não foi um santo, e nem nunca li nada que denotasse que ele aspirava a esta posição de ícone ou esta oportunista “canonização”.


Penso que Mandela foi um Homem (com maiúscula mesmo) que justificou a definição, que justificou a espécie, não só a biológica, mas a conceitual, e esta, creio, é sua maior herança.


Não creio que o mundo tenha sofrido uma grande perda somente pela sua extinção meramente física, pois sua obra, maior que sua existência biológica, lhe transcendeu, para nossa sorte e exemplo futuro.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sou um analfabeto

Certa feita, em tempos idos e nunca “voltados”, rsrsrs, procurei ler sobre o que era poesia. Ora parecia-me uma coisa chata, piegas, mas por vezes me surpreendia, portanto, tentei ler sobre eventuais definições ou significados. Em vão. O mais próximo que consegui foi saber que se tratava de um gênero literário...

Pois bem, depois de ficar imaginando um senhor bem postado, escarrapachado em sua erudição, vestido com o elegante colete de suas certezas, definindo, codificando, rotulando e arquivando toneladas de conceitos abstratos, assim como, penso eu, engarrafando pensamentos ou até colocando suspiros em pastas etiquetadas com apuro e prumo, desisti de entender.

Pois é, sou um analfabeto confesso e conformado, já que na maioria das vezes, creio que sentir não é entender, e nem precisa, pois quando você entende, já passou, já é arquivo.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ver a vida por um vão, nunca é vê-la em vão...

Cheguei a um momento da vida em que acreditei já ter visto muita coisa, claro que não tudo, mas que só faltariam algumas janelas, pequenos vãos, esquinas, uma ou outra porta menor, com segredos menores talvez.

Mas, de repente, de um vão esquecido atrás de uma estante, coberto por uma cristaleira antiga, havia uma janela, não uma janela qualquer, a janela, uma janela que desafiava a física, pois era maior que a parede.

E de um canto de sala, e de um vislumbre inicial desta janela, via-se um campo, bosques, florestas, e naquela hora o canto escuro passou a ser só uma referencia abstrata, o canto da sala antiga era o canto do mundo, e o mundo transformava o canto em centro e a geometria cedia e renunciava prazerosamente aos meus sentimentos.

Nada mais fazia sentido, porque tudo era o sentir, e o sentir é sempre sentido, e o que é sentido, sempre faz sentido...


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Brasil: Piada pronta e de mau gosto?




Por vezes acontecem algumas coisas que fazem com que eu reflita sobre alguns aspectos de nosso país.


Por exemplo: nunca tive a pretensão de que o Brasil fosse sério, assim como Serra Leoa, Libéria, Afeganistão sob ocupação e etc. Sei que ainda estamos longe deste perfil de honestidade e vergonha na cara, e vejam, não falo de Suíça, Suécia, Dinamarca, e outros, que todos sabemos que não existem, estes ditos “países” e suas virtudes, são para nós como Papai Noel, Coelho da Páscoa e coisas assim, pois logo que ficamos adultos percebemos que estas coisas são só vingança da "direita raivosa", que teima em envenenar os nossos virgens e absorventes cérebros sedentos de “sangue e luta”, mote amado por quem derramou pouco sangue e pouco lutou, e hoje em dia exibe orgulhoso (?) cicatrizes feitas com a henna do engodo e relevada pela má e falha memória endêmica que assola estes curiosos trópicos.


Somos consumidores ruins e quase otários, se bem no caso da telefonia celular, principalmente a TIM, que em um país sério, teria seus diretores explicando-se na barra dos tribunais por apropriação indébita, de fato neste aspecto somos completamente otários, e se alguém desta ”ínclita” empresa tiver dúvidas, tenho todos os recibos comigo.


Somos eleitores preguiçosos, despreparados e nem estamos ligando para política, a não ser para tirar fotos e publicar em redes sociais. Tudo bem, eu entendo e não critico, faz parte do hedonismo inerente ao ser humano, só não consigo ver nisto nenhuma plataforma política, a não ser o salto alto das meninas que fazem pose nas fotos.


Somos barulhentos e inconsequentes, o eco de nossa indignação não dura até o final do grito, mudamos de ideia o tempo todo, não por sermos abertos aos novos conceitos, mas porque na maioria das vezes os conceitos são somente slogans atraentes e alguns nem tanto.


Quando leio criticas feitas a militantes que atravessam décadas defendendo suas ideias, me revolto, pois mesmo não concordando com estas ideias, reconheço coerência, profundidade e seriedade.


O novo não é bom porque é novo, o bom, para ser bom, tem que ser bom, novo ou velho.


Pois é, por mais triste que me sinta, desconfio que o nosso Brasil de hoje seja uma piada pronta e de mau gosto...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um viva aos sumo sacerdotes da asneira!

Olá amigos, depois de algum tempo, e continuando a não cumprir a promessa que fiz de atualizar regularmente o blog, o que é uma prova forte para meus inimigos de que não tenho palavra, ao menos neste particular, rsrsrs, volto a fazê-lo, e sob os auspícios combinados de dois fatores; uma providencial e inadiável ida ao banheiro e as revistas Elle e Vogue.



Devo dizer, e me penitencio por isto, pois não sou muito seletivo em minhas leituras neste sacrossanto aposento da casa, que já li desde bula de Paracetamol até discurso do Aécio Neves, passando por artigos escritos (???????) pelo Lula..., mas tudo bem combinam com o objetivo de lá estar, se bem que os exemplos citados o superaram e em muito...


Bom, mas voltando as ditas publicações supracitadas, que lá estavam com certeza como fruto de alguma vingança tipicamente feminina, resolvi folhear. Pasmo profundo! É claro que nunca tive a pretensão de encontrar nestas revistas alguma coisa mais profunda e com conteúdo, assim como um gibi, do Zé Carioca ou do Pato Donald, ou até, suprema pretensão, da revista da Monica. Sabia que o nível era inferior.


Mas para minha surpresa, foi um terrível engano e uma pavorosa descoberta. Saibam caros amigos e raros leitores, que estas revistas, fazem parte de um complô internacional da extrema esquerda, a mais bovinamente radical, financiada com recursos de uma "grande potencia industrial" de esquerda, a Coréia do Norte, aquela que comprou o Mickey, isto caro amigo, ela mesmo, que de vez em quando ameaça com uma "bombinhazinha" nuclear, só para afastar o tédio de seu líder brincalhão...


Sim, pois estas publicações ou serão provocações, não sei, pregam a imediata revolta e rebelião das massas, desde as massas só com molho de tomate pronto até as com Brie e trufas negras, tal a asneira, ignorância, e analfabetismo dos textos lá publicados, ou seriam cometidos, sei lá.


Futilidade eu entendo, e devo dizer que até gosto de uma certa dose de futilidade e supérfluo, é bom, é gostoso, e se levar a sério e, levar tudo a sério o tempo todo é muito chato, é um saco, é muito bom ter um pouco de frescura e besteira.


Mas, e concluindo, a maioria dos redatores, eu disse redatores?????????????????? Perdão redatores, a maioria dos pacientes em recuperação de lobotomias mal sucedidas que assinam, ou melhor, que marcam com um X as “matérias” lá cometidas, deverão ser responsabilizados perante os tribunais da “grande revolução mundial”, que fatalmente acontecerá em breve se as pessoas de carne e osso, que trabalham, vivem e lutam, lerem aqueles disparates preconceituosos e estúpidos cometidos pelos imbecis que respondem (será?) pelo culto ao exagero ofensivo e agressivo de incensar idiotices.



E não venham me falar em nichos ou em liberdade de expressão, senão serei obrigado a relembrar, para aqueles que ainda sabem ler, da famigerada publicação nazista “Der Sturmer”, que pregava o ódio aos judeus e a burguesia com caricaturas infantis e risíveis, nas décadas de 1920 até 1945, e que em seu inicio foi ridicularizada como asneira rapidamente descartável, e depois a história se encarregou de contar as consequências.


Mas tudo bem, me disseram que a mulherada nem lê os textos, só olham e curtem as fotos relativas à moda. Legal. Deve ser como nos tempos idos, quando a Playboy trazia textos sobre as coelhinhas que ninguém lia, em que pese mentíssemos que só comprávamos a revista pelas reportagens e entrevistas...


Redator da ELLE almoçando...

 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professor!

Ao longo da minha vida, e põe longa nisto, rsrsrs, me orgulho de muitas coisas que FIZ,, de outras nem tanto, e de algumas me arrependo profundamente.

De tantas coisas que VIVI, de algumas gosto de lembrar, de outras tento esquecer.

Das profissões que TIVE, muitas me gratificaram, outras cobriram buracos.

Mas de todas as coisas que FIZ, VIVI e TIVE, uma delas nunca tem reparo nas minhas lembranças, fazem parte do arquivo das coisas boas que você acessa em tempos ruins, é parte de mim, foi o melhor que pude ser, foi ter sido PROFESSOR (com maiúsculas mesmo, porque a profissão assim exige), e só pude experimentar este privilégio, porque os que tive, professores, assim o permitiram!

Feliz Dia do Professor!

Um país sem educação é só um bando de gente com interesses comuns morando em um mesmo lugar!


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Deu!!!!

Eita!!!! Banqueiros safados, gente tentando me converter pelo cansaço repetitivo, o pavoroso "partiu", política a cada dia mais nojenta, vereadores sem noção e eleitos por gente sem noção, roubalheira descarada, masturbação pseudo-intelectual e outras coisas mais! Vou me exilar na Mongólia ou procurar ouro no Alaska!

Enchi o saco de tanta "certeza absoluta", de tanta convicção pobre, de tanta militância burra e apaixonada, de tantos estúpidos erros de gramática, de tanta doutrinação rasa, de tanta indignação treinada em frente ao espelho de casa, de tanta volúpia em opinar, mesmo não tendo a menor base, reflexão ou mínimo conhecimento, de tanto fake, de tanta emoção emprestada, de tanta asneira, que chego à conclusão de que errado estou eu, que o cego e insensível, sou eu, eu sou o idiota incapaz de entender que assim as coisas são, e que fico remexendo no meu caldeirão de lembranças de outros tempos, cuja poção nem placebo de segunda mais o é!

Meu tempo passou e teimo em não ver!


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Avesso acordado


De tanto pensar, muito querer e pouco poder, tornei-me o avesso gêmeo do verso distante, quando acordo sonho, vivo enquanto durmo.


 
 


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Assim são os loucos...

Amigos, quanto mais eu vejo, leio e ouço tanta obviedade, tanto incenso enjoativo sendo queimado no altar da sanha insana do politicamente correto, mais se apequena a minha já rara esperança em tempos melhores.

De tanto ver “touros” jovens se imolarem no altar da conveniência, do retorno pequeno e fácil, da aceitação fóbica em prol da tribo, qualquer tribo que os tirem do relativo isolamento do livre pensar, que os tornem membros de uma boiada que acredita seguir seu caminho, quando somente seguem o canto suave das raposas, minha crença míngua.

São tantos e tão exaustivamente repetidos os clichês, que se tornam mantras de gritos no vazio, porque só gritam para fora e tem medo de sussurrar para dentro de si mesmos, e quando tentam fazê-lo, o fazem tão baixo que não mais ouvem e com isto, o desencanto se torna inevitável.


“Perdão, mas tenho que recorrer ao dito “maldito”, Jack Kerouac, que no fundo de seu desencanto não perdeu a perspectiva, mesmo que dela não precisasse, por enfado ou por "desimportância", mas que assim um dia escreveu:

“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”

Lamento pela lenta e quase imperceptível morte dos loucos, lamento pelos pinos certos nos buracos certos, lamento a lucidez do gado tangido.

 
 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tirem as crianças da sala, ops, das redes sociais...

Mais uma agora, eita, tenho lido que em face a criticas feitas ao prefeito municipal, Reni Pereira, está surgindo uma reação indignada de seus apoiadores, principalmente nas redes sociais, leia-se o Facebook.

Ah, então tá. Quer dizer que é proibido criticar? É preciso falar que a cidade está ótima e etc.?

Não, não está, está com muitos problemas, novos e antigos, só que os antigos não podem ser varridos para baixo do tapete, ou foi firmado um compromisso de posse em que o prefeito atual só responderia por problemas acontecidos após a sua posse?

Ou seja, o melhor de dois mundos? Só assumiu o ativo e nada do passivo? Candidatou-se sem saber dos problemas quase centenários da cidade? Pensou que estava assumindo uma nova “Xangrilá”?


 Poupem-me! Quem assume um cargo público após uma acirrada disputa, e pode por acirrada nisto, está fazendo um favor a nós munícipes? O de nos salvar dos desmandos “terríveis e danosos” do antigo prefeito?

Se não respeitarem nossa independência de pensamento, ao menos respeitem nosso QI, o que é bom, é elogiado, o que é ruim deve ser criticado, o resto é asneira de cabo eleitoral.

O prefeito atual, a quem conheço de algum tempo e sei de sua ponderação, deveria frear estes arroubos de puxa-saquismo em seu próprio bem, pois só contribui para irritar os críticos independentes que querem apenas o melhor para cidade e esperam com boa vontade que ele o faça, sem esta militância político-partidária primaria e infantil.

Quando os elefantes brigam... II

Então amigos, respeito a iniciativa dos bancários, estão exercendo o seu direito. Respeito mais ainda a líder deles em Foz, a combativa, competente e equilibrada Cristina Delgado. Entendo, mas não respeito muito a FEBRABAN, que mais parece uma Máfia do que uma entidade patronal, mas vá lá, está defendendo seus interesses legítimos, se morais ou não, é outra discussão, mais legítimos o são, sem dúvida.

O que não entendo e não respeito é o que acontece conosco, os manés de sempre, que pagam as contas das brigas dos outros.

Se os trabalhadores vencerem, os benefícios serão deles. Se os empregadores vencerem, os benefícios serão deles. E nós? Ficamos com a conta dos transtornos, vença quem vencer? É justo?

A grande pergunta, que sobrevive aos proselitismos políticos, sindicais e todos os adjetivos qualificativos que queiram é:

O QUE EU TENHO QUE VER COM ESTA BRIGA?????

Brotam entrevistas nas TVs com membros do PROCOM, dizendo isto ou aquilo, como contornar esta questão e etc., aliás, muitos e ineficazes comentários deste teor, bem intencionados quero crer, mas ainda ineficazes...Mas a verdade é que ninguém consegue pagar contas, por uma razão mais simples do que os abnegados funcionários dos Procons pensam...:

NINGUÉM CONSEGUE RECEBER!!!

No mais, tudo como sempre foi, vale o dito africano; quando os elefantes brigam, nós, a grama rala e queimada pelos abusos de sempre, sofre...