Muita gente enche a boca pra falar de cultura. É tema recorrente em discursos politicamente corretos, no entanto, fica mais nos discursos, nos encontros, nos fóruns e nos gabinetes que nas ruas.
Cultura é um produto, como outro qualquer, e mais nobre, penso eu, pois alimenta o espirito. No entanto, neste Brasil de hoje, cultura parece ser condenada a ser uma coisa chata, maçante, politicamente engajada e outras bobagens pernósticas afins.
Meu amigo Emerson Peixoto vive disto, vive do produto cultural. Grande e por vezes incompreendido Emerson, teimoso no bom sentido, que a cada apresentação, em que se esforça para trazer o melhor, trabalha como um louco, se estressa e jura nunca mais fazer a mesma coisa, mas não adianta, passa um tempo e ele volta, ele tem o saudável vírus da cultura, é portador desta visão de que nem só de pão vive o homem.
Ah, e ele não é daqueles que acha que um espetáculo para ser cultural tem que ser chato, com viés político, tem que “educar as massas”, e outras asneiras. Pode e tem que ser divertido, tem que ser bom, o sucesso de um espetáculo não precisa de adjetivos, tem que ter qualidades intrínsecas.
E agora, ele está de volta com mais um, é no dia 28, agora, veja abaixo, compre seu ingresso, curta muito e vamos torcer para aparecerem mais “Emersons” por aqui:
Falando um pouco sobre tudo, mas sempre e muito sobre qualquer coisa que me venha a cabeça...
terça-feira, 17 de julho de 2012
As paralelas
O que mata a gente são as paralelas. Não é o caminho difícil e cheio de obstáculos, com vales e montanhas, com buracos e armadilhas, não, este caminho vai de um lugar para outro, tem um fim de caminho, se você conseguir superar tudo, você chega lá.
Não é como escalar um pico altíssimo, com escarpas e desfiladeiros ameaçadores, com ar rarefeito, com um mundo de perigos e desafios embutidos. Se você estiver preparado, tiver sorte, vontade e habilidade, você chega lá.
Mas, as paralelas não, quando a sua vida corre em uma paralela a vida que queria ter, não. Quando as coisas que almeja estão ali do seu lado, não. Quando os amores e conquistas estão ali do seu lado, não. Quando o sucesso grita seu nome e está do seu lado, não.
Não, as paralelas nunca se encontram, tem a mesma velocidade, tem a mesma intensidade, são visíveis, são tangíveis, são muito próximas, mas são inatingíveis, são paralelas, caminhos condenados a não ter fim, a nunca se encontrar.
Não é como escalar um pico altíssimo, com escarpas e desfiladeiros ameaçadores, com ar rarefeito, com um mundo de perigos e desafios embutidos. Se você estiver preparado, tiver sorte, vontade e habilidade, você chega lá.
Mas, as paralelas não, quando a sua vida corre em uma paralela a vida que queria ter, não. Quando as coisas que almeja estão ali do seu lado, não. Quando os amores e conquistas estão ali do seu lado, não. Quando o sucesso grita seu nome e está do seu lado, não.
Não, as paralelas nunca se encontram, tem a mesma velocidade, tem a mesma intensidade, são visíveis, são tangíveis, são muito próximas, mas são inatingíveis, são paralelas, caminhos condenados a não ter fim, a nunca se encontrar.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Um olhar safado...
Um olhar safado. Quanto de engano, de promessa, de sensualidade, de dúvida, de desejo, de saudade, de falta, há em um olhar safado?
Quanto de confirmação, de crença, de sonho, de riso e de choro, há em um olhar safado?
E quanto de certeza pode haver em um olhar safado?
Pouca, quase nenhuma, só uma. Não é um olhar safado.
Quanto de confirmação, de crença, de sonho, de riso e de choro, há em um olhar safado?
E quanto de certeza pode haver em um olhar safado?
Pouca, quase nenhuma, só uma. Não é um olhar safado.
Noites frias de inverno
Estas noites frias e chuvosas de inverno, nos remetem à busca quase ancestral de confortos físicos e psicológicos. A vontade de estar em casa, aquecido à lareira para quem a tem, senão um bom aquecedor, janelas fechadas, cortinas corridas, portas trancadas e o mundo lá fora.
Assim como devia ser o fechar a caverna com arbustos, calafetar as entradas de frio, vento e chuva, acender o fogo, buscar o conforto do calor e da segurança e preparar-se para o amanhã.
De uma certa maneira, e penso que não poderia ser diferente, ainda somos muito parecidos, as buscas e os medos mudaram de apelidos, mas não de nomes próprios. Ainda buscamos o conforto, a segurança, a continuidade, a alimentação repetida, o espaço no núcleo social.
E por falar em alimentação, o inverno tem gosto e cheiro de sopas fumegantes, queijos encorpados, vinhos generosos, doces, muitos doces e filmes no DVD. O mundo fica do tamanho de nossa casa, tudo é colocado mais perto, mais a mão, como se até as coisas que nos cercam também buscassem o aconchego e o calor da proximidade.
Assim como devia ser o fechar a caverna com arbustos, calafetar as entradas de frio, vento e chuva, acender o fogo, buscar o conforto do calor e da segurança e preparar-se para o amanhã.
De uma certa maneira, e penso que não poderia ser diferente, ainda somos muito parecidos, as buscas e os medos mudaram de apelidos, mas não de nomes próprios. Ainda buscamos o conforto, a segurança, a continuidade, a alimentação repetida, o espaço no núcleo social.
E por falar em alimentação, o inverno tem gosto e cheiro de sopas fumegantes, queijos encorpados, vinhos generosos, doces, muitos doces e filmes no DVD. O mundo fica do tamanho de nossa casa, tudo é colocado mais perto, mais a mão, como se até as coisas que nos cercam também buscassem o aconchego e o calor da proximidade.
Continente Obscuro
Minha querida amiga Vania Maria Cassini, criou um grupo no facebook, chamado Continente Obscuro, que seria a definição de Freud para as mulheres. Pois bem, mais uma vez o sábio vienense, de origem tcheca, estava certo. Não fosse ele tido como o pai da psicanálise, seria com certeza o pai da arqueologia da alma.
Afinal o que são mulheres senão vastos continentes de nuances e tons? Quantos cantos e recantos obscuros se escondem na alma de uma mulher? As milhares de terminações emocionais, o profundo mistério, para nós homens, da maternidade. E se não bastasse a graça oblíqua das contradições, some-se a firme convicção de seu espaço, tecido as escondidas por um bom tempo, que hoje se revela na definitva e positiva partcipação na sociedade moderna que delas não pode e não prescinde.
Sim, mulheres são imensos continentes, últimas fronteiras ainda não descobertas, que ainda guardam em sua obscuridade metafórica a revelação de certezas antigas, gestadas na observação paciente dos desatinos dos homens. Sem dúvida, continentes obscuros que atraem para suas profundezas os homens ávidos de suas riquezas, que atraídos pela feminilidade irresitível de suas promessas, lá se perdem e se enredam num gostoso esquecimento.
Afinal o que são mulheres senão vastos continentes de nuances e tons? Quantos cantos e recantos obscuros se escondem na alma de uma mulher? As milhares de terminações emocionais, o profundo mistério, para nós homens, da maternidade. E se não bastasse a graça oblíqua das contradições, some-se a firme convicção de seu espaço, tecido as escondidas por um bom tempo, que hoje se revela na definitva e positiva partcipação na sociedade moderna que delas não pode e não prescinde.
Sim, mulheres são imensos continentes, últimas fronteiras ainda não descobertas, que ainda guardam em sua obscuridade metafórica a revelação de certezas antigas, gestadas na observação paciente dos desatinos dos homens. Sem dúvida, continentes obscuros que atraem para suas profundezas os homens ávidos de suas riquezas, que atraídos pela feminilidade irresitível de suas promessas, lá se perdem e se enredam num gostoso esquecimento.
Hummpf, ghrunf, cóf, cóf...
Opa, bom dia amigos, estou escrevendo só com uma mão e dois dedos, a única parte do corpo fora do edredom. Cabeça fervendo, calafrios e um ar apatetado. Como? Não, não estou vendo nenhuma reprise do BBB e nem TV Senado, é melhor, é só uma gripe...
É aquela gripe clássica, daquelas que fazem a alegria dos redatores de bulas de remédio, tem todos os sintomas que você pode achar, e com mais alguns ainda só para enriquecer a literatura médica. O pior dela, para mim, é a má distribuição da temperatura do corpo, que assim como a de renda no Brasil, é absurdamente desigual e muito similar.
Na cabeça, no rosto, no topo, um calor de cruzeiro no Caribe, daqueles que exigem aos berros cervejas geladas e afins, já no resto do corpo, que sustenta a cabeça, arrepios de frio de envergonhar “colônia de férias” na Sibéria. Onde está média? Meu reino pela média!
Mas, fora isto, fora a falta de dinheiro, fora a falta de esperança na politica, fora o fato de ser segunda-feira, fora o nariz entupido, fora o ar de palerma que a gripe nos dá, assim como o de ator da Malhação “atuando”, tá tudo bem, já dizia aquele eterno otimista entrando no mar 2 minutos antes do tsunami...
Bem, é isso, vou continuar curtindo a minha bula e descobrindo que efeitos colaterais posso ter ao tomar o remédio, só espero que um deles não seja uma vontade irresistível de ler um livro do Sarney, escutando sertanejo universitário...
É aquela gripe clássica, daquelas que fazem a alegria dos redatores de bulas de remédio, tem todos os sintomas que você pode achar, e com mais alguns ainda só para enriquecer a literatura médica. O pior dela, para mim, é a má distribuição da temperatura do corpo, que assim como a de renda no Brasil, é absurdamente desigual e muito similar.
Na cabeça, no rosto, no topo, um calor de cruzeiro no Caribe, daqueles que exigem aos berros cervejas geladas e afins, já no resto do corpo, que sustenta a cabeça, arrepios de frio de envergonhar “colônia de férias” na Sibéria. Onde está média? Meu reino pela média!
Mas, fora isto, fora a falta de dinheiro, fora a falta de esperança na politica, fora o fato de ser segunda-feira, fora o nariz entupido, fora o ar de palerma que a gripe nos dá, assim como o de ator da Malhação “atuando”, tá tudo bem, já dizia aquele eterno otimista entrando no mar 2 minutos antes do tsunami...
Bem, é isso, vou continuar curtindo a minha bula e descobrindo que efeitos colaterais posso ter ao tomar o remédio, só espero que um deles não seja uma vontade irresistível de ler um livro do Sarney, escutando sertanejo universitário...
domingo, 15 de julho de 2012
Finais de domingo...
Final de domingo. Então, quem não se lembra da época de escola, o que era um final de domingo? Pois é, eu lembro bem, e a mim, parecia que no inverno era pior, o dia mais curto, a noite chegando rápida e a segunda-feira ali pertinho, rindo de maneira sarcástica, ou se tinha prova, sádica, pra gente. Não era assim com você?
É, mas agora tudo mudou, tudo é diferente! Mesmo? Acho que nada mudou, só a “escola” que assusta mais, e as “provas” que não mais permitem segunda época e nem recuperação. Mas a segunda-feira ainda exerce este poder sobre mim, esta cara feia de sempre, esta lembrança cinza.
O domingo à noite escapava por entre os dedos, deixando a saudade do jogo de futebol da tarde, do jantar ou café da noite, dos programas noturnos de televisão, sim na época da minha infância já tinha TV, rsrsrs
Humm, mas não tinha o Faustão..., e raros eram os crimes nas manchetes da época, o que tornava a segunda-feira menos intolerável, mas a saudade e a lembrança os tornavam melhores do que agora, quando provavelmente não eram, talvez a saudade seja daqueles dias e não dos finais de domingo da época.
Ah, esta era a nossa "Globo" daquele tempo, a TV Piratini, canal 5, Rede Tupi.
É, mas agora tudo mudou, tudo é diferente! Mesmo? Acho que nada mudou, só a “escola” que assusta mais, e as “provas” que não mais permitem segunda época e nem recuperação. Mas a segunda-feira ainda exerce este poder sobre mim, esta cara feia de sempre, esta lembrança cinza.
O domingo à noite escapava por entre os dedos, deixando a saudade do jogo de futebol da tarde, do jantar ou café da noite, dos programas noturnos de televisão, sim na época da minha infância já tinha TV, rsrsrs
Humm, mas não tinha o Faustão..., e raros eram os crimes nas manchetes da época, o que tornava a segunda-feira menos intolerável, mas a saudade e a lembrança os tornavam melhores do que agora, quando provavelmente não eram, talvez a saudade seja daqueles dias e não dos finais de domingo da época.
Ah, esta era a nossa "Globo" daquele tempo, a TV Piratini, canal 5, Rede Tupi.
MP Federal será acionado - Repasse legal ao Parque Nacional do Iguaçu
Nesta segunda-feira, dia 16, às 14h30, o vereador Carlos Juliano Budel (PSDB) ingressará com pedido de investigação criminal ou administrativa para apuração de eventual ato de improbidade pelo não atendimento à legislação que garante repasses maiores ao Parque Nacional do Iguaçu. Há cerca de dois anos o vereador vinha tentando obter informações relativas aos valores arrecadados pela unidade que detém uma das maravilhas da natureza, as Cataratas do Iguaçu e um volume superior a um milhão de visitantes. E, principalmente, o quanto era revertido pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, seja em manutenção ou investimentos.
Este ano, atendendo ao convite do vereador Carlos Budel, o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Jorge Pegoraro, compareceu à Câmara de Vereadores para esclarecer dados sobre o funcionamento da unidade e revelou que desde 2009, são repassados menos de 20% dos valores arrecadados.
O vereador argumenta que não estão sendo atendidas as diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, tampouco o que está estatuído no artigo número 35 da Lei 9.985/2000 e seus incisos, pois o texto legal apregoa que ‘Os recursos obtidos pelas unidades de conservação do Grupo de Proteção Integral mediante a cobrança de taxa de visitação e outras rendas decorrentes de arrecadação, serviços e atividades da própria unidade serão aplicados (...) até cinquenta por cento, e não menos que vinte e cinco por cento’.
Antes de decidir-se por acionar o Ministério Público Federal, Budel enviou um requerimento à direção do Instituto Chico Mendes, em Brasília, indagando o porquê do não atendimento à legislação, mas não recebeu nenhuma resposta no prazo legal.
“É preciso salientar que a direção local do parque não tem autonomia para versar sobre esses recursos. Nossa ação e questionamento são direcionados para os gestores do ICMBio, a parte administrativa que fica em Brasília”, observou o vereador.
“O que estamos pedindo é que o Ministério Público investigue e responsabilize aqueles que não obedeceram a legislação. Os repasses, ao menos 25%, são direitos constituídos do parque iguaçuense e queremos que a lei seja respeitada para que se tenha mais recursos para a manutenção e melhorias da nossa unidade florestal”, finalizou Budel.
(Assessoria do vereador)
Este ano, atendendo ao convite do vereador Carlos Budel, o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Jorge Pegoraro, compareceu à Câmara de Vereadores para esclarecer dados sobre o funcionamento da unidade e revelou que desde 2009, são repassados menos de 20% dos valores arrecadados.
O vereador argumenta que não estão sendo atendidas as diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, tampouco o que está estatuído no artigo número 35 da Lei 9.985/2000 e seus incisos, pois o texto legal apregoa que ‘Os recursos obtidos pelas unidades de conservação do Grupo de Proteção Integral mediante a cobrança de taxa de visitação e outras rendas decorrentes de arrecadação, serviços e atividades da própria unidade serão aplicados (...) até cinquenta por cento, e não menos que vinte e cinco por cento’.
Antes de decidir-se por acionar o Ministério Público Federal, Budel enviou um requerimento à direção do Instituto Chico Mendes, em Brasília, indagando o porquê do não atendimento à legislação, mas não recebeu nenhuma resposta no prazo legal.
“É preciso salientar que a direção local do parque não tem autonomia para versar sobre esses recursos. Nossa ação e questionamento são direcionados para os gestores do ICMBio, a parte administrativa que fica em Brasília”, observou o vereador.
“O que estamos pedindo é que o Ministério Público investigue e responsabilize aqueles que não obedeceram a legislação. Os repasses, ao menos 25%, são direitos constituídos do parque iguaçuense e queremos que a lei seja respeitada para que se tenha mais recursos para a manutenção e melhorias da nossa unidade florestal”, finalizou Budel.
(Assessoria do vereador)
Quousque tandem?
Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará (de nós)? (Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?).
A frase acima é a primeira do primeiro discurso do romano Cícero, Marcos Túlio Cícero contra Catilina em 63 A.C., onde o famoso orador, então Cônsul Romano, atacava as pretensões golpistas de Catilina, Lúcio Sérgio Catilina, contra a ordem estabelecida no então Império Romano.
A frase é usada até hoje quando se quer manifestar a desaprovação de um fato ou atitude que persiste, apesar de constituir-se em absurdo lógico ou teimosia empedernida, diante de uma realidade que não pode ser ignorada.
Pena que, apesar do eco que se fez ouvir através da história, o que vemos hoje são só “Cíceros” roucos e uma epidemia de “Catilinas” bem vivos a atuantes. Na época bastaram 4 discursos, 2 ao povo romano e 2 dirigidos ao senado, para derrubar as pretensões do falido Catilina, que via na queda do regime somente uma oportunidade de recuperar a fortuna perdida.
Familiar? Cabe a analogia? Pois é, também acho. As semelhanças são assustadoras, no teor do discurso, a quem foi dirigido e onde o foi. Pena que a história seja vista hoje em dia como uma matéria aborrecida nos cursos regulares ou como mero diletantismo de poucos. Enquanto isto, suas lições jazem esquecidas sob dois dedos de poeira dos séculos, nos escaninhos escuros da memória da humanidade.
Somos condenados a repetir sempre os mesmos erros, numa “coerência” cruel.
A frase acima é a primeira do primeiro discurso do romano Cícero, Marcos Túlio Cícero contra Catilina em 63 A.C., onde o famoso orador, então Cônsul Romano, atacava as pretensões golpistas de Catilina, Lúcio Sérgio Catilina, contra a ordem estabelecida no então Império Romano.
A frase é usada até hoje quando se quer manifestar a desaprovação de um fato ou atitude que persiste, apesar de constituir-se em absurdo lógico ou teimosia empedernida, diante de uma realidade que não pode ser ignorada.
Pena que, apesar do eco que se fez ouvir através da história, o que vemos hoje são só “Cíceros” roucos e uma epidemia de “Catilinas” bem vivos a atuantes. Na época bastaram 4 discursos, 2 ao povo romano e 2 dirigidos ao senado, para derrubar as pretensões do falido Catilina, que via na queda do regime somente uma oportunidade de recuperar a fortuna perdida.
Familiar? Cabe a analogia? Pois é, também acho. As semelhanças são assustadoras, no teor do discurso, a quem foi dirigido e onde o foi. Pena que a história seja vista hoje em dia como uma matéria aborrecida nos cursos regulares ou como mero diletantismo de poucos. Enquanto isto, suas lições jazem esquecidas sob dois dedos de poeira dos séculos, nos escaninhos escuros da memória da humanidade.
Somos condenados a repetir sempre os mesmos erros, numa “coerência” cruel.
sábado, 14 de julho de 2012
Vive le France!
Há exatos 223 anos, caia a Bastilha, prisão francesa. A queda da bastilha está entre os mais, senão o mais emblemático episódio da Revolução Francesa, que mudou os rumos políticos do mundo ocidental, com reflexos em todas as nações e colônias de então. Ruía o conceito de dinastias como símbolos de países e nascia o conceito de nação.
Para a França, seu berço, a revolução foi sangrenta e confusa, o terror imperou e as lutas intestinas entre as facções pela supremacia do novo regime acabaram por ironicamente criar as condições para o surgimento de um novo tipo de absolutismo, encarnado na figura de Napoleão Bonaparte.
O velho regime caia de podre, carcomido pelos seus próprios vícios, e o vácuo criado pela confusão que se seguiu, ainda é objeto de discussão e teses de historiadores hoje em dia, sem que haja um consenso sobre o real curso do processo.
Mas em um aspecto existe uma unanimidade, o mundo nunca mais foi o mesmo depois que a chamada plebe, a turba indignada, passou dos resmungos para a ação, e as elites perceberam que mais do que gado a ser tangido e explorado, o chamado populacho era algo a ser analisado e temido nas equações de poder, afinal a cabeça do marquês de Taunay, governador da prisão do estado, exibida pelas ruas como um estandarte macabro, não foi esquecida por muito tempo.
Muitas “Bastilhas” caíram depois, muitas ainda vão cair, mas tudo começou há 223 anos nos então arredores de Paris.
Parabéns aos franceses pelo seu feriado maior e grato pelo legado!
Para a França, seu berço, a revolução foi sangrenta e confusa, o terror imperou e as lutas intestinas entre as facções pela supremacia do novo regime acabaram por ironicamente criar as condições para o surgimento de um novo tipo de absolutismo, encarnado na figura de Napoleão Bonaparte.
O velho regime caia de podre, carcomido pelos seus próprios vícios, e o vácuo criado pela confusão que se seguiu, ainda é objeto de discussão e teses de historiadores hoje em dia, sem que haja um consenso sobre o real curso do processo.
Mas em um aspecto existe uma unanimidade, o mundo nunca mais foi o mesmo depois que a chamada plebe, a turba indignada, passou dos resmungos para a ação, e as elites perceberam que mais do que gado a ser tangido e explorado, o chamado populacho era algo a ser analisado e temido nas equações de poder, afinal a cabeça do marquês de Taunay, governador da prisão do estado, exibida pelas ruas como um estandarte macabro, não foi esquecida por muito tempo.
Muitas “Bastilhas” caíram depois, muitas ainda vão cair, mas tudo começou há 223 anos nos então arredores de Paris.
Parabéns aos franceses pelo seu feriado maior e grato pelo legado!
Gordos e magros, antes e depois...
Vejam só como são as coisas, os tempos mudam, as cabeças mudam, os modelos mudam e a gente segue a caminhada. Antigamente era um mau sinal ser magro. As mulheres magras eram vistas como nervosas, feias, intolerantes, azedas, quando não maléficas até. Alguma vez você viu alguma ilustração de livro antigo retratando uma feiticeira gordinha?
Pois é, era assim naquela época, as mais fornidas, mais bem aquinhoadas de carnes, vamos dizer assim, eram associadas à beleza sensual, à vocação para a maternidade, à placidez e ao bem viver. Ainda hoje, em algumas culturas, esta visão sobrevive.
Já os homens, da mesma forma. Os magros em excesso não eram bem vistos, pois não eram prósperos, não se alimentavam, logo não tinham recursos. Como confiar em alguém que não tinha recursos para comer? Lembrem-se que os débitos e créditos mais elementares, eram atribuídos aos desígnios divinos, portanto, num raciocínio tortuoso, mas comum na época, Deus não os via com bons olhos.
Ah, e tinha ainda, aliás, tem um pouco ainda, a visão folclórica de que os gordos são alegres, de bom caráter e incapazes de uma maldade, como se o excesso de carnes fosse um antidoto intrínseco contra maus pensamentos e atitudes...
Pois é, agora tudo mudou. Magros são ativos, produtivos, centrados, controlados, confiáveis, bonitos, ícones e etc., mais um caminhão cheio de adjetivos idiotas com que a mídia superlativa nos brinda diariamente. Já gordos são preguiçosos, mal amados, só são úteis nas propagandas de “antes e depois” e olhe lá.
É, os tempos mudam, as cabeças mudam, os modelos mudam e a estupidez humana continua igualzinha...
Pois é, era assim naquela época, as mais fornidas, mais bem aquinhoadas de carnes, vamos dizer assim, eram associadas à beleza sensual, à vocação para a maternidade, à placidez e ao bem viver. Ainda hoje, em algumas culturas, esta visão sobrevive.
Já os homens, da mesma forma. Os magros em excesso não eram bem vistos, pois não eram prósperos, não se alimentavam, logo não tinham recursos. Como confiar em alguém que não tinha recursos para comer? Lembrem-se que os débitos e créditos mais elementares, eram atribuídos aos desígnios divinos, portanto, num raciocínio tortuoso, mas comum na época, Deus não os via com bons olhos.
Ah, e tinha ainda, aliás, tem um pouco ainda, a visão folclórica de que os gordos são alegres, de bom caráter e incapazes de uma maldade, como se o excesso de carnes fosse um antidoto intrínseco contra maus pensamentos e atitudes...
Pois é, agora tudo mudou. Magros são ativos, produtivos, centrados, controlados, confiáveis, bonitos, ícones e etc., mais um caminhão cheio de adjetivos idiotas com que a mídia superlativa nos brinda diariamente. Já gordos são preguiçosos, mal amados, só são úteis nas propagandas de “antes e depois” e olhe lá.
É, os tempos mudam, as cabeças mudam, os modelos mudam e a estupidez humana continua igualzinha...
O "não"...
Pois é, ainda de molecagem com as palavras, vamos jogar conversa fora sobre mais uma, o “não”. Então, para começar com os extremos, vejo de um lado o “não” senhorial, patriarcal, tradicional, peremptório, definitivo e carregado de certezas antigas e arraigadas, assim como um móvel pesado, de madeira maciça, como aqueles que estão na família há anos. A este “não”, não cabe recurso, ou se aceita ou não se aceita, mas não se cria expectativas de mudança.
Do outro extremo, tem o “não” tímido, uma espécie de “não” moleque, indeciso, em fase de crescimento, um “não” em busca de afirmação, um “não” que esconde atrás de si, meio encoberto um “sim” sorridente, que acena e faz gestos de que não é bem assim. É o “não” da promessa, o “não” que alimenta expectativas, o “não” que queria ser “sim”, o “não” com a vocação inequívoca de “sim”.
Entre eles, milhares de tons, de entonações, de situações, de variações infinitas de “nãos”.
Bom, não acho fácil dizer “não”, “não” me soa como negação ao experimento, como recusa à curiosidade. O “não” pode e conquista respeito, admiração até, mas não faz amigos na hora, o “não” é a cara fechada do homem, mesmo com razão e possível reconhecimento de acerto depois, mas é a cara fechada.
Já o “sim” é o sorriso aberto, a empatia instantânea, o riso fácil, mesmo que traga junto com esta bagagem de alegria uma sacola de consequências e muitas vezes com pedras dentro, mas na hora, é o sorriso aberto do possível.
O “não” atravessa as portas do tempo e o sim é sempre hoje.
Do outro extremo, tem o “não” tímido, uma espécie de “não” moleque, indeciso, em fase de crescimento, um “não” em busca de afirmação, um “não” que esconde atrás de si, meio encoberto um “sim” sorridente, que acena e faz gestos de que não é bem assim. É o “não” da promessa, o “não” que alimenta expectativas, o “não” que queria ser “sim”, o “não” com a vocação inequívoca de “sim”.
Entre eles, milhares de tons, de entonações, de situações, de variações infinitas de “nãos”.
Bom, não acho fácil dizer “não”, “não” me soa como negação ao experimento, como recusa à curiosidade. O “não” pode e conquista respeito, admiração até, mas não faz amigos na hora, o “não” é a cara fechada do homem, mesmo com razão e possível reconhecimento de acerto depois, mas é a cara fechada.
Já o “sim” é o sorriso aberto, a empatia instantânea, o riso fácil, mesmo que traga junto com esta bagagem de alegria uma sacola de consequências e muitas vezes com pedras dentro, mas na hora, é o sorriso aberto do possível.
O “não” atravessa as portas do tempo e o sim é sempre hoje.
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