quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Lamento

Lamento. Morre uma das mais importantes vozes do jornalismo econômico "descomplicado", que nunca precisou de "dialetos pretensiosos" para expor uma ideia, uma posição, dar uma opinião.

Não creio que deixe sucessores com a mesma característica, o que é uma pena na minha visão.

Joelmir Beting (1936 - 2012)




segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Soneto da Fidelidade, perdão Vinicius...

De tudo ao meu amor serei atento (menos na hora do futebol), 

Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto, que mesmo em face ao menor encanto (salvo uma caixa de cerveja gelada), dele se encante mais meu pensamento (se não estiver ocupado com a carne na churrasqueira), 

Quero vivê-lo em cada vão momento, e em seu louvor hei de espalhar meu canto (não na sesta depois da comida) e rir meu riso (quando o Grêmio ganha) e derramar meu pranto (quando vejo a Xuxa e o Faustão) ao seu pesar e contentamento (Vinicius não tinha DVD),

E assim quando mais tarde me procure (os credores furiosos), quem sabe a morte, angústia de quem vive (preciso parar de beber), quem sabe a solidão fim de quem ama (Oba!!!), 

Possa me dizer do amor que tive, que não seja imortal (olha o Grêmio de novo) posto que é chama (e às vezes arde demais), mas que seja infinito enquanto dure. (é, bem assim...rsrsrs)

Depois desta mereço 10 anos de prisão lendo os poemas do Pedro Bial e escutando músicas do Pelé...

 


 

Perdão mestre!

sábado, 24 de novembro de 2012

Arquivos ou quartos de despejo?

Tem momentos em que você duvida do que sabe, duvida da bagagem acumulada ao longo do tempo. Veja só, quando você arruma um armário, uma gaveta, a tendência é manter coisas que você sabe que nunca vai usar, o que faz com que você não as descarte? 

O apego é uma coisa estranha, não tem razões lógicas, pertence ao inconsciente, que se manifesta no consciente nas mais diversas formas, com num sentido sem sentido parecido como o do sonho, está lá, e com uma lógica própria.

Por vezes penso em arquivos, mas logo descarto em favor de um quarto de despejo, de um quarto em que você joga coisas, na expectativa de um dia usá-las ou entendê-las. Penso que a razão, se é que existe, que nos faz agirmos assim é a expectativa indefinida, não catalogada, de alguma coisa não resolvida e sem saber por que.

Não sei se somos reféns de perguntas ou de respostas, as perguntas honestas são fruto da curiosidade pura, as respostas podem ser produtos de busca dirigida, afinal existem mais respostas que perguntas, e todas em busca de perguntas que as justifiquem.

Penso que ao invés da pergunta que não quer calar, o dilema maior é a resposta que busca sua razão e origem, aquela que busca a pergunta que não nasceu da dúvida e nem da curiosidade, mas da inquietação indefinida.




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A pauta da hora

Então amigos, está aberta a temporada de especulações sobre o secretariado do prefeito eleito. Como pauta, sem dúvida é um grande assunto e que merece bastante espaço, mas a rigor, no chamado frigir dos ovos, quem manda é o prefeito, e por mais acordos a cumprir e composições a fazer que tenha, quem manda é ele, e o seu secretariado deve refletir sua expectativa sobre como ele pensa a cidade. 

Portanto, a meu juízo, o mais importante é ouvir de Reni Pereira, o que ele pretende fazer e em que prazo, ai sim, teremos um sinal do acerto ou do erro no voto, no meu caso, que abri meu voto, espero e creio que tenha sido um acerto, mas suas ações e o resultado delas é que vão confirmar ou desmentir o que digo.

Então, sigamos na pauta válida, mas sem perder o foco no que realmente importa.


 

Ilhas, pontes e comportamentos...

É muito curiosa esta dança sem música de sentimentos variados e conflitantes. Quando a gente acompanha os posts nas redes sociais, hoje mais o facebook que qualquer outra, é possível constatar-se isto.

Desde manifestações, algumas até patéticas na súplica quase infantil, religiosas, até manifestações de independência em relação à sentimentos básicos, que ao contrário do que pretendem, só mostram a dependência deles.

Ninguém nega o que não existe, estas pseudo catarses, de curto folego e larga emoção, só evidenciam a necessidade que as pessoas têm de exorcizar-se o tempo todo. Nada contra, acho até ótimo que isto aconteça, pois ajuda a evitar que traumas se criem maiores do que poderiam vir a ser, o que questiono, aliás, não questiono, só acho curioso, é a importância que é dada a estas manifestações.

Seja como for, é fascinante observar esta nudez que as pessoas mostram, mas, é claro, nudez de peças escolhidas, nada é como é, quando muito é como as pessoas gostariam que fosse. No fundo agimos todos como ilhas de discurso individualista e a procura desesperada de pontes que nos unam.


 

Amanhã, imperdível!!!!!


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um certo cuidado nunca é demasiado, foco é tudo...

Tomando por base diversas ações dos governos em vários níveis e em várias épocas, é inevitável, ao menos para mim, fazer a seguinte pergunta:

De que adiantam estas manifestações populares?

Sim, porque acredito que a maior e mais eficaz é aquela que é feita através do voto.

É a grande solução?

Muito provavelmente não, mas é a mais contundente. Trazendo esta questão para a nossa cidade, tenho acompanhado a mobilização visando um protesto contra o aumento das tarifas de transporte coletivo. Certo, justo, louvável, mas quem está determinando esta tarifa foi um gestor eleito pelo povo.

Não foi ninguém imposto por algum governo autoritário, e eu já vivi esta impotência, sei bem como é. Mas agora não, agora é diferente, discutível ou não, moral ou não, justo ou não, é uma prerrogativa dada por nós mesmos que o legitimamos, votando contra ou a favor, ao participarmos de um pleito.

Cabe o protesto? Sim, cabe e sempre caberá, mas penso que deva ser objetivo e dirigido ao fulcro da questão, sem outras considerações, até porque o resultado das ultimas eleições já determinou a mudança.

O que cabe, a meu juízo, é avaliar de que forma esta pressão será exercida e se terá resultados, caso contrário, a própria e poderosa ideia da mobilização popular acaba por se perder na vala comum do reclamo estéril, que com o tempo entra no rol das frustrações e decepções que determinam, e muito, o desencanto da população com as coisas da política, tendendo a tratá-la como coisa a parte, o que não é e nem nunca deveria ser.


 

sábado, 17 de novembro de 2012

Quebra-cabeça ou quebra cabeça...

Não conheço um compasso para explicar o que faço, não há compasso que justifique o que passo, o passo do meu compasso é o que faço.

Mastigando e remoendo palavras com sentidos isolados como ilhas sem pontes. Construindo navios para visitá-las, ligando-as na minha memória, pontes de ar sobre mares remotos, ilhas perdidas nos mapas de minha expectativa.

Vejo, esqueço, lembro, perco, viajo, volto, vou até onde ninguém foi, nem eu, lembro-me do que não vivi, esqueço o que nunca lembrei, perco o que nunca tive, sou sem ter sido.

Vou montado na minha incoerência, levando a bandeira da incompreensão contra os cruéis moinhos de vento de minha lucidez perdida, não busco o sentido e sim o sentindo.


 

O óbvio

Nada é menos óbvio que o óbvio. O óbvio exige o consenso, impõe, cobra, mas o que é óbvio?

O que faz sentido, o que faz sentido para nós, o que faz sentido para os outros?

O óbvio é autoritário, exige respeito, exige aceitação, não admite contestação, é imperioso e tirânico.

Oferece o conforto da vala comum das angústias indefinidas, vive da ânsia da aceitação, vive do espaço que todos buscamos.

O óbvio é um parasita da insegurança humana., e não faltam os arautos a anunciá-lo...



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ícaro

Acho que no fundo todos nós temos um pouco de Ícaro, heróis embriagados da ilusão de voar. 

Cortejamos o sol, com a insensatez dos apaixonados, queremos ir além dos sonhos mais loucos, desafiar o impossível, somos atraídos pelo drama impensado.

Queimamos na fogueira das vontades, as regras e limites que juramos respeitar, mentimos sobre a cera que cola as asas de nossos delírios, e voamos na certeza insana do equilibrista bêbado, cego ao perigo que do chão duro e com os olhos no sol desejado.

De todas as criaturas de Deus, somos os únicos que nos orgulhamos de pensar, no entanto, na primeira fresta que se abre na frágil couraça com que nos cobrimos, vem à tona o grito primal, e os instintos passam nos guiar, continuamos primitivos na essência mesmo que tenhamos tanto cuidado com a forma.


 

Existencialismo

“Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor…

Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."

Soren Kierkegaard - filósofo dinamarquês (1813-1855) - Precursor do existencialismo.

 


 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Nada não, só pensando alto...

Já fiz muita coisa, já vi e vivi outras tantas, muitas coisas não fiz e me arrependo, outras fiz e me arrependo também, de outras sei que acertei, mas muita coisa ainda quero fazer, quero continuar a tentar e errar e acertar novamente, pois entendo que esta é a condição de quem anda.

Aprendi com alguns erros, mas depois errei de novo, pois pareceu que o aprendizado foi só um confuso consolo, outros nunca mais repeti. Tive acertos, repeti algumas coisas buscando novos acertos, em alguns casos deu certo e em outros não.

Nunca busquei fórmulas de bem viver, nunca acreditei que houvesse fórmula de bem viver, a gente recolhe coisas e as guarda nos bolsos da mente, e usa quando cabe, às vezes nunca usa, mais guarda mesmo assim, e por que? Não sei, nunca soube e hoje nem lembro mais porque guardei um dia, quem sabe quando precisar de algo que não saiba bem o que é, eu lembre porque as guardei.

Não confio muito em ditados, duvido de receitas definitivas, não gosto de roteiros rígidos,não por arrogância e orgulho, mas por ser curioso, e curiosidade não combina muito com regras cartesianas.  

Por mais clichê que soe, e o é, viver é uma aventura permanente, e creio que viver sem certezas absolutas é a adrenalina da vida.

No mais, pouco a dizer, muito a lembrar, outro tanto a esquecer, mais coisas a conhecer e outro tanto a entender, e de tantos e pedras pequenas, segue o barco navegando, sem um rumo muito certo e nem tão lógico, por mares calmos e tempestades, de tudo um pouco, de um pouco tudo.


 

...

É, assim é, que assim seja.




quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O tempo é o senhor da razão?

Em tudo, com tudo e por tudo, nada do que é, deixa de ser, o foi não existe, é somente é uma acomodação cronológica, serve para melhor arquivar as coisas, mas elas continuam vivas a espera algo que poderá nunca acontecer, mas que continua a reclamar seu espaço.

As medidas do tempo nos situam e aprisionam, estabelecem graus de intensidade, resolvem pendências, definem prioridades, catalogam sentimentos, propõem cursos de ação, moderam as emoções, mas as experiências continuam vivas e sempre estarão.

Dizem que o tempo é o senhor da razão. Não concordo. 

Creio que o tempo seja um arquivista inepto da emoção.