Ao longo da minha vida, e põe longa nisto, rsrsrs, me orgulho de muitas coisas que FIZ,, de outras nem tanto, e de algumas me arrependo profundamente.
De tantas coisas que VIVI, de algumas gosto de lembrar, de outras tento esquecer.
Das profissões que TIVE, muitas me gratificaram, outras cobriram buracos.
Mas de todas as coisas que FIZ, VIVI e TIVE, uma delas nunca tem reparo nas minhas lembranças, fazem parte do arquivo das coisas boas que você acessa em tempos ruins, é parte de mim, foi o melhor que pude ser, foi ter sido PROFESSOR (com maiúsculas mesmo, porque a profissão assim exige), e só pude experimentar este privilégio, porque os que tive, professores, assim o permitiram!
Feliz Dia do Professor!
Um país sem educação é só um bando de gente com interesses comuns morando em um mesmo lugar!
Falando um pouco sobre tudo, mas sempre e muito sobre qualquer coisa que me venha a cabeça...
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Deu!!!!
Eita!!!! Banqueiros safados, gente tentando me converter pelo cansaço repetitivo, o pavoroso "partiu", política a cada dia mais nojenta, vereadores sem noção e eleitos por gente sem noção, roubalheira descarada, masturbação pseudo-intelectual e outras coisas mais! Vou me exilar na Mongólia ou procurar ouro no Alaska!
Enchi o saco de tanta "certeza absoluta", de tanta convicção pobre, de tanta militância burra e apaixonada, de tantos estúpidos erros de gramática, de tanta doutrinação rasa, de tanta indignação treinada em frente ao espelho de casa, de tanta volúpia em opinar, mesmo não tendo a menor base, reflexão ou mínimo conhecimento, de tanto fake, de tanta emoção emprestada, de tanta asneira, que chego à conclusão de que errado estou eu, que o cego e insensível, sou eu, eu sou o idiota incapaz de entender que assim as coisas são, e que fico remexendo no meu caldeirão de lembranças de outros tempos, cuja poção nem placebo de segunda mais o é!
Meu tempo passou e teimo em não ver!
Enchi o saco de tanta "certeza absoluta", de tanta convicção pobre, de tanta militância burra e apaixonada, de tantos estúpidos erros de gramática, de tanta doutrinação rasa, de tanta indignação treinada em frente ao espelho de casa, de tanta volúpia em opinar, mesmo não tendo a menor base, reflexão ou mínimo conhecimento, de tanto fake, de tanta emoção emprestada, de tanta asneira, que chego à conclusão de que errado estou eu, que o cego e insensível, sou eu, eu sou o idiota incapaz de entender que assim as coisas são, e que fico remexendo no meu caldeirão de lembranças de outros tempos, cuja poção nem placebo de segunda mais o é!
Meu tempo passou e teimo em não ver!
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Avesso acordado
De tanto pensar, muito querer e pouco poder, tornei-me o avesso gêmeo do verso distante, quando acordo sonho, vivo enquanto durmo.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Assim são os loucos...
Amigos, quanto mais eu vejo, leio e ouço tanta obviedade, tanto incenso enjoativo sendo queimado no altar da sanha insana do politicamente correto, mais se apequena a minha já rara esperança em tempos melhores.
De tanto ver “touros” jovens se imolarem no altar da conveniência, do retorno pequeno e fácil, da aceitação fóbica em prol da tribo, qualquer tribo que os tirem do relativo isolamento do livre pensar, que os tornem membros de uma boiada que acredita seguir seu caminho, quando somente seguem o canto suave das raposas, minha crença míngua.
São tantos e tão exaustivamente repetidos os clichês, que se tornam mantras de gritos no vazio, porque só gritam para fora e tem medo de sussurrar para dentro de si mesmos, e quando tentam fazê-lo, o fazem tão baixo que não mais ouvem e com isto, o desencanto se torna inevitável.
“Perdão, mas tenho que recorrer ao dito “maldito”, Jack Kerouac, que no fundo de seu desencanto não perdeu a perspectiva, mesmo que dela não precisasse, por enfado ou por "desimportância", mas que assim um dia escreveu:
“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”
Lamento pela lenta e quase imperceptível morte dos loucos, lamento pelos pinos certos nos buracos certos, lamento a lucidez do gado tangido.
De tanto ver “touros” jovens se imolarem no altar da conveniência, do retorno pequeno e fácil, da aceitação fóbica em prol da tribo, qualquer tribo que os tirem do relativo isolamento do livre pensar, que os tornem membros de uma boiada que acredita seguir seu caminho, quando somente seguem o canto suave das raposas, minha crença míngua.
São tantos e tão exaustivamente repetidos os clichês, que se tornam mantras de gritos no vazio, porque só gritam para fora e tem medo de sussurrar para dentro de si mesmos, e quando tentam fazê-lo, o fazem tão baixo que não mais ouvem e com isto, o desencanto se torna inevitável.
“Perdão, mas tenho que recorrer ao dito “maldito”, Jack Kerouac, que no fundo de seu desencanto não perdeu a perspectiva, mesmo que dela não precisasse, por enfado ou por "desimportância", mas que assim um dia escreveu:
“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”
Lamento pela lenta e quase imperceptível morte dos loucos, lamento pelos pinos certos nos buracos certos, lamento a lucidez do gado tangido.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Tirem as crianças da sala, ops, das redes sociais...
Mais uma agora, eita, tenho lido que em face a criticas feitas ao prefeito municipal, Reni Pereira, está surgindo uma reação indignada de seus apoiadores, principalmente nas redes sociais, leia-se o Facebook.
Ah, então tá. Quer dizer que é proibido criticar? É preciso falar que a cidade está ótima e etc.?
Não, não está, está com muitos problemas, novos e antigos, só que os antigos não podem ser varridos para baixo do tapete, ou foi firmado um compromisso de posse em que o prefeito atual só responderia por problemas acontecidos após a sua posse?
Ou seja, o melhor de dois mundos? Só assumiu o ativo e nada do passivo? Candidatou-se sem saber dos problemas quase centenários da cidade? Pensou que estava assumindo uma nova “Xangrilá”?
Poupem-me! Quem assume um cargo público após uma acirrada disputa, e pode por acirrada nisto, está fazendo um favor a nós munícipes? O de nos salvar dos desmandos “terríveis e danosos” do antigo prefeito?
Se não respeitarem nossa independência de pensamento, ao menos respeitem nosso QI, o que é bom, é elogiado, o que é ruim deve ser criticado, o resto é asneira de cabo eleitoral.
O prefeito atual, a quem conheço de algum tempo e sei de sua ponderação, deveria frear estes arroubos de puxa-saquismo em seu próprio bem, pois só contribui para irritar os críticos independentes que querem apenas o melhor para cidade e esperam com boa vontade que ele o faça, sem esta militância político-partidária primaria e infantil.
Ah, então tá. Quer dizer que é proibido criticar? É preciso falar que a cidade está ótima e etc.?
Não, não está, está com muitos problemas, novos e antigos, só que os antigos não podem ser varridos para baixo do tapete, ou foi firmado um compromisso de posse em que o prefeito atual só responderia por problemas acontecidos após a sua posse?
Ou seja, o melhor de dois mundos? Só assumiu o ativo e nada do passivo? Candidatou-se sem saber dos problemas quase centenários da cidade? Pensou que estava assumindo uma nova “Xangrilá”?
Poupem-me! Quem assume um cargo público após uma acirrada disputa, e pode por acirrada nisto, está fazendo um favor a nós munícipes? O de nos salvar dos desmandos “terríveis e danosos” do antigo prefeito?
Se não respeitarem nossa independência de pensamento, ao menos respeitem nosso QI, o que é bom, é elogiado, o que é ruim deve ser criticado, o resto é asneira de cabo eleitoral.
O prefeito atual, a quem conheço de algum tempo e sei de sua ponderação, deveria frear estes arroubos de puxa-saquismo em seu próprio bem, pois só contribui para irritar os críticos independentes que querem apenas o melhor para cidade e esperam com boa vontade que ele o faça, sem esta militância político-partidária primaria e infantil.
Quando os elefantes brigam... II
Então amigos, respeito a iniciativa dos bancários, estão exercendo o seu direito. Respeito mais ainda a líder deles em Foz, a combativa, competente e equilibrada Cristina Delgado. Entendo, mas não respeito muito a FEBRABAN, que mais parece uma Máfia do que uma entidade patronal, mas vá lá, está defendendo seus interesses legítimos, se morais ou não, é outra discussão, mais legítimos o são, sem dúvida.
O que não entendo e não respeito é o que acontece conosco, os manés de sempre, que pagam as contas das brigas dos outros.
Se os trabalhadores vencerem, os benefícios serão deles. Se os empregadores vencerem, os benefícios serão deles. E nós? Ficamos com a conta dos transtornos, vença quem vencer? É justo?
A grande pergunta, que sobrevive aos proselitismos políticos, sindicais e todos os adjetivos qualificativos que queiram é:
O QUE EU TENHO QUE VER COM ESTA BRIGA?????
Brotam entrevistas nas TVs com membros do PROCOM, dizendo isto ou aquilo, como contornar esta questão e etc., aliás, muitos e ineficazes comentários deste teor, bem intencionados quero crer, mas ainda ineficazes...Mas a verdade é que ninguém consegue pagar contas, por uma razão mais simples do que os abnegados funcionários dos Procons pensam...:
NINGUÉM CONSEGUE RECEBER!!!
No mais, tudo como sempre foi, vale o dito africano; quando os elefantes brigam, nós, a grama rala e queimada pelos abusos de sempre, sofre...
O que não entendo e não respeito é o que acontece conosco, os manés de sempre, que pagam as contas das brigas dos outros.
Se os trabalhadores vencerem, os benefícios serão deles. Se os empregadores vencerem, os benefícios serão deles. E nós? Ficamos com a conta dos transtornos, vença quem vencer? É justo?
A grande pergunta, que sobrevive aos proselitismos políticos, sindicais e todos os adjetivos qualificativos que queiram é:
O QUE EU TENHO QUE VER COM ESTA BRIGA?????
Brotam entrevistas nas TVs com membros do PROCOM, dizendo isto ou aquilo, como contornar esta questão e etc., aliás, muitos e ineficazes comentários deste teor, bem intencionados quero crer, mas ainda ineficazes...Mas a verdade é que ninguém consegue pagar contas, por uma razão mais simples do que os abnegados funcionários dos Procons pensam...:
NINGUÉM CONSEGUE RECEBER!!!
No mais, tudo como sempre foi, vale o dito africano; quando os elefantes brigam, nós, a grama rala e queimada pelos abusos de sempre, sofre...
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Gelo partido
Desliza lisa no espelho polido, risca, rasga, marca o chão de vidro, corre contra, encontra e conta o que viu no reflexo.
Sai e perde, se perde, se vê e não se enxerga, procura o reflexo perdido no oposto da visão roubada na profundidade do espelho, que fende e esconde, revela só o que quer ver.
Busca a razão até perceber que a razão é a busca, e então novamente desliza, risca, arranha, cai e quebra, lisa, no reflexo partido.
Sai e perde, se perde, se vê e não se enxerga, procura o reflexo perdido no oposto da visão roubada na profundidade do espelho, que fende e esconde, revela só o que quer ver.
Busca a razão até perceber que a razão é a busca, e então novamente desliza, risca, arranha, cai e quebra, lisa, no reflexo partido.
Realismo fantástico
Pois é amigos, volto a minha atividade bissexta e muito esporádica, menos que bissexta eu diria, mas vamos lá.
Soube, dias destes, que na poderosa Globo está passando um remake da novela Saramandaia. Tudo bem, para quem gosta, legal. Mas o que chamou a atenção, e me refiro à primeira versão, a original, pois esta ainda não assisti, é que apresenta um roteiro escrito sob as fumaças do chamado realismo fantástico, “gênero” criado ou utilizado, ou vá que seja, adotado pelo genial Garcia Marquez.
Nada mais próprio e atual. Neste rico e folclórico país, já passamos pela euforia cívica, pelo drama rasgado, pelo drama enfeitado de superação, pelo realismo pragmático, por todas as siglas bastardas, que teimam em negar o seu significado, que convenhamos, virou um diletantismo irrelevante, mas agora enfim, quem sabe não chegamos mais próximos da realidade brasileira.
Não somos completamente surrealistas, pois o pé de chumbo no pragmatismo, que por estas bandas está mais para esperteza explicita que qualquer outra coisa, impede, mas realismo fantástico casa bem conosco.
Quando você presencia o que está acontecendo no Supremo, tudo dentro da lei, na estrita observância da lei, me pego a pensar em leis feitas e implantadas pela Rainha de Copas, com um coelho curioso a rir sarcástico, somos o país das maravilhas, sem buraco a se esconder e com um chá fraco servido.
Nada do que se discute hoje neste paraíso tropical resistiria a um terceiro e pueril “por quê?”
Então amigos, um vereador vestido de roupa cor de rosa e montado a cavalo, é só uma pequena e inofensiva cena, situada no núcleo humorístico desta grande novela, um pé de página no enredo, nada mais que isto, de causas fracas e consequências menos importantes ainda.
Soube, dias destes, que na poderosa Globo está passando um remake da novela Saramandaia. Tudo bem, para quem gosta, legal. Mas o que chamou a atenção, e me refiro à primeira versão, a original, pois esta ainda não assisti, é que apresenta um roteiro escrito sob as fumaças do chamado realismo fantástico, “gênero” criado ou utilizado, ou vá que seja, adotado pelo genial Garcia Marquez.
Nada mais próprio e atual. Neste rico e folclórico país, já passamos pela euforia cívica, pelo drama rasgado, pelo drama enfeitado de superação, pelo realismo pragmático, por todas as siglas bastardas, que teimam em negar o seu significado, que convenhamos, virou um diletantismo irrelevante, mas agora enfim, quem sabe não chegamos mais próximos da realidade brasileira.
Não somos completamente surrealistas, pois o pé de chumbo no pragmatismo, que por estas bandas está mais para esperteza explicita que qualquer outra coisa, impede, mas realismo fantástico casa bem conosco.
Quando você presencia o que está acontecendo no Supremo, tudo dentro da lei, na estrita observância da lei, me pego a pensar em leis feitas e implantadas pela Rainha de Copas, com um coelho curioso a rir sarcástico, somos o país das maravilhas, sem buraco a se esconder e com um chá fraco servido.
Nada do que se discute hoje neste paraíso tropical resistiria a um terceiro e pueril “por quê?”
Então amigos, um vereador vestido de roupa cor de rosa e montado a cavalo, é só uma pequena e inofensiva cena, situada no núcleo humorístico desta grande novela, um pé de página no enredo, nada mais que isto, de causas fracas e consequências menos importantes ainda.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Topless e mensalão, tudo a ver?
Esta nossa pátria amada é mesmo um grande país, grande em tudo, no tamanho, na riqueza, no potencial, no povo, nas coisas boas e más, na inteligência e na asneira.
Tive um acesso de riso, meio amarelo é bem verdade, mas mesmo assim tive que rir. Ao entrar no UOL, ao lado de uma chamada para acompanhar as discussões no Supremo sobre o mensalão, que, diga-se de passagem, anda meio que assumindo um certo aspecto de guerra de egos, se bem que inserida em um importante e fundamental tema, que mais do que político, vejo como ético, para não dizer policial...
Mas voltando ao assunto, meus caros amigos, bem ao lado me deparei com uma enquete “preciosa”, onde era perguntado se você, pobre leitor, era a favor, contra ou indiferente ao topless em público!?!
Nos tempos de hoje cabe uma reflexão: Topless masculino, feminino ou indefinido? Sim, não ria caro amigo, nestes tempos, tudo precisa vir acompanhado de uma explicação, pois os usos e costumes estão mudando e muito.
Bem, como já passei dos 50, e ainda sou hetero, apesar da pressão do governo, imagino que a “pesquisa”, deveria referir-se ao topless feminino, espero, e neste caso, devo responder como um tio muito querido meu o faria: Depende!
Depende do seio, é claro, e se são bonitos não ofendem, mas podem chocar os mais “virtuosos”, ou até irritar algum cirurgião plástico, se naturais forem, mas cabe a pergunta meio sem vergonha:
Mostrar em público para que? Campanha de aleitamento materno? Propaganda de prevenção ao câncer de mama? E mais outros vários motivos nobres. Agora se é só exibicionismo, ainda cabe o segundo por quê?
Bem cada um com seu cada qual, eu preferiria ver em público os seios desnudos de nossa pátria mãe gentil, pois desta forma poderíamos ver e identificar alguns de seus diletos filhos mamando em seus (nossos) generosos e fartos seios, assim como no julgamento do mensalão, de topless...
Tive um acesso de riso, meio amarelo é bem verdade, mas mesmo assim tive que rir. Ao entrar no UOL, ao lado de uma chamada para acompanhar as discussões no Supremo sobre o mensalão, que, diga-se de passagem, anda meio que assumindo um certo aspecto de guerra de egos, se bem que inserida em um importante e fundamental tema, que mais do que político, vejo como ético, para não dizer policial...
Mas voltando ao assunto, meus caros amigos, bem ao lado me deparei com uma enquete “preciosa”, onde era perguntado se você, pobre leitor, era a favor, contra ou indiferente ao topless em público!?!
Nos tempos de hoje cabe uma reflexão: Topless masculino, feminino ou indefinido? Sim, não ria caro amigo, nestes tempos, tudo precisa vir acompanhado de uma explicação, pois os usos e costumes estão mudando e muito.
Bem, como já passei dos 50, e ainda sou hetero, apesar da pressão do governo, imagino que a “pesquisa”, deveria referir-se ao topless feminino, espero, e neste caso, devo responder como um tio muito querido meu o faria: Depende!
Depende do seio, é claro, e se são bonitos não ofendem, mas podem chocar os mais “virtuosos”, ou até irritar algum cirurgião plástico, se naturais forem, mas cabe a pergunta meio sem vergonha:
Mostrar em público para que? Campanha de aleitamento materno? Propaganda de prevenção ao câncer de mama? E mais outros vários motivos nobres. Agora se é só exibicionismo, ainda cabe o segundo por quê?
Bem cada um com seu cada qual, eu preferiria ver em público os seios desnudos de nossa pátria mãe gentil, pois desta forma poderíamos ver e identificar alguns de seus diletos filhos mamando em seus (nossos) generosos e fartos seios, assim como no julgamento do mensalão, de topless...
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Avatares...
“Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo”!
Frase por demais conhecida e repetida até a exaustão que foi extraída da peça Ricardo III de Shakespeare e atribuída ao até então rei da Inglaterra no final da batalha decisiva da Guerra das Roas.
Em que pese a história não lhe seja muito simpática, tendo o condenado inclusive, ao menos a coragem ou obstinação do infausto rei, nesta batalha final, foi reconhecida.
Mas o ponto não é bem este, lendo até o final, ele fará sentido, espero...
As redes sociais vieram para ficar, e mais que ficar, para determinar comportamentos, para pautar a mídia tradicional, ou seja, botaram poderosos amplificadores nas praças do mundo inteiro, unificaram a língua, moldaram a nova comunicação, que veio definitivamente para ficar, para o bem ou para o mal.
Mas, como subprodutos curiosos, geraram a exposição de “sentimentos sentidos” ou imaginados, ou desejados e até copiados, destravaram línguas, detonaram pudores, criaram um imenso divã de psicanalista.
É um tal de fratura exposta e “curtida”, quando não “compartilhada”, que mesmo a carne viva mostrada, deixa de ser lamento e vira bandeira, slogan de superação, sublimação, e mais todos os demais fartos adjetivos que tentam identificar, quando não saudar, as mais antigas e comezinhas dúvidas e angustias humanas, sob nova embalagem, pois "fakes", em maior ou menor medida, todos nós não deixamos de ser...
Logo estaremos todos nós, “avatares”, vestidos com nossos personagens, e esquecidos disto, amontoados em frente a uma tela de computador, assistindo encantados e perplexos a algum documentário do século passado, sobre alguma coisa que foi banal, com o embevecimento de estarmos assistindo um grande filme de ficção.
Portanto, resgate-se e parafraseie-se Shakespeare:
“Algo real, algo real, minha sanidade por alguma coisa real!”!
Frase por demais conhecida e repetida até a exaustão que foi extraída da peça Ricardo III de Shakespeare e atribuída ao até então rei da Inglaterra no final da batalha decisiva da Guerra das Roas.
Em que pese a história não lhe seja muito simpática, tendo o condenado inclusive, ao menos a coragem ou obstinação do infausto rei, nesta batalha final, foi reconhecida.
Mas o ponto não é bem este, lendo até o final, ele fará sentido, espero...
As redes sociais vieram para ficar, e mais que ficar, para determinar comportamentos, para pautar a mídia tradicional, ou seja, botaram poderosos amplificadores nas praças do mundo inteiro, unificaram a língua, moldaram a nova comunicação, que veio definitivamente para ficar, para o bem ou para o mal.
Mas, como subprodutos curiosos, geraram a exposição de “sentimentos sentidos” ou imaginados, ou desejados e até copiados, destravaram línguas, detonaram pudores, criaram um imenso divã de psicanalista.
É um tal de fratura exposta e “curtida”, quando não “compartilhada”, que mesmo a carne viva mostrada, deixa de ser lamento e vira bandeira, slogan de superação, sublimação, e mais todos os demais fartos adjetivos que tentam identificar, quando não saudar, as mais antigas e comezinhas dúvidas e angustias humanas, sob nova embalagem, pois "fakes", em maior ou menor medida, todos nós não deixamos de ser...
Logo estaremos todos nós, “avatares”, vestidos com nossos personagens, e esquecidos disto, amontoados em frente a uma tela de computador, assistindo encantados e perplexos a algum documentário do século passado, sobre alguma coisa que foi banal, com o embevecimento de estarmos assistindo um grande filme de ficção.
Portanto, resgate-se e parafraseie-se Shakespeare:
“Algo real, algo real, minha sanidade por alguma coisa real!”!
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Quartos escuros
Sentados em quartos escuros e escutando o som forte da luz esquiva.
Sentados em quartos escuros vendo a força do vento, que levanta e faz girar as cortinas de neblina com cheiro de mato molhado.
Sentados em quartos escuros esperando as janelas se moverem, janelas que nunca se abrem, janelas escuras como o quarto.
Sentados em quartos escuros de costas para portas que nunca existiram.
Sentados em quartos escuros, esperando.
Sentados em quartos escuros.
Sentados em quartos escuros vendo a força do vento, que levanta e faz girar as cortinas de neblina com cheiro de mato molhado.
Sentados em quartos escuros esperando as janelas se moverem, janelas que nunca se abrem, janelas escuras como o quarto.
Sentados em quartos escuros de costas para portas que nunca existiram.
Sentados em quartos escuros, esperando.
Sentados em quartos escuros.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Meu candidato para 2014!
E lá está ele, firme, tranquilo, sereno, absoluto, o impávido poste. Muito cioso de sua importância, de sua utilidade. Poste que no passado foi tachado de intruso ao atrapalhar a paisagem, obstruir a visão do verde luxuriante e benfazejo.
Pois é, hoje em dia, fora alguns ecologistas e os quase anacrônicos admiradores da natureza urbana, poucos se importariam com a derrubada de uma árvore incômoda, já um poste que seja derrubado por algum acidente, pode deixar ruas e até um bairro sem luz, fone e internet.
No passado recente, ao descrever um político com muito prestigio, dizia-se dele que este seria capaz de eleger até um poste! Uma maldade que os novos tempos se encarregaram de punir. Vejam vocês, um poste é altamente elegível, e desconfio que com mais facilidade que muitos postulantes a algum cargo público.
Um poste é o que é, sua utilidade é indiscutível, ele é absolutamente transparente em seus propósitos, não decepciona ninguém, pois invariavelmente cumpre o que promete, estabelece laços com a comunidade, pois leva luz e outras coisas, possibilita a união entre as pessoas, pois é um indiscutível elo entre ele e outro poste, nunca trai seu parceiro, tem a convicção e a postura de que é parte de uma corrente maior em prol do bem comum de uma rua ou de uma comunidade.
Portanto, cuidado analistas políticos ao afirmar que alguém poderia eleger um poste, pois penso que atualmente é mais fácil um poste eleger algum dos candidatos que estão brotando por baixo das pedras por aí, que o contrário...
terça-feira, 30 de julho de 2013
Homem que é Homem..., grande L.F.Verissimo!
Reproduzo com orgulho e admiração, o fantástico texto, se bem que longo, mais vale a pena, do grande Luis Fernando Verissimo, publicado no inicio da década de 80, final da de 70, que julgo antológico..., putz, é hoje que vou ter que dormir no canil...
Leia aí, quem sabe você não se sinta tão só e incompreendido, afinal ser chamado de Homem hoje em dia é quase um xingamento, kkkkkkkkk
HOMEM QUE É HOMEM
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa muito!
Situação 1
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo para saber. 0 prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar. Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor ele vir sozinho!
Situação 2
Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga — se bem que HQEH não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado — a entrar para um curso de Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você, que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do arbusto despencado pelo vento.
Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser câimbra. Você: a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém; b) finge que não entendeu bem as instruções, engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas; c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.
Situação 3
Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar, mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu lado oferece:
— Se quiser usar o meu...
— O seu...?
— Joelho.
— Ah...
— Ele está desocupado.
— Mas eu não o conheço.
— Eu apresento. Este é o meu joelho.
— Não. Eu digo, você...
— Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a perna toda você ia pedir referências. Ti-au.
Você: a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças; b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.
Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um HQEH. Se você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que teste é coisa de veado.
Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin. O que seria deste pais se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou Morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? 0 Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem que é Homem é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa, assim, extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de mulher pra dar pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.
HQEH nunca vai a vernissage.
HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu a Marguerite Yourcenar e não vai ler a Marguerite Yourcenar.
HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.
Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira, entradas para um espetáculo de mímica.
Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton", "Vamos ao balé?", "Prove estas cebolinhas".
Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf".
Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.
HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já conseguiu a adesão de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha de regeneração do macho brasileiro.
Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer coisa de veado.
Leia aí, quem sabe você não se sinta tão só e incompreendido, afinal ser chamado de Homem hoje em dia é quase um xingamento, kkkkkkkkk
HOMEM QUE É HOMEM
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa muito!
Situação 1
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo para saber. 0 prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar. Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor ele vir sozinho!
Situação 2
Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga — se bem que HQEH não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado — a entrar para um curso de Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você, que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do arbusto despencado pelo vento.
Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser câimbra. Você: a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém; b) finge que não entendeu bem as instruções, engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas; c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.
Situação 3
Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar, mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu lado oferece:
— Se quiser usar o meu...
— O seu...?
— Joelho.
— Ah...
— Ele está desocupado.
— Mas eu não o conheço.
— Eu apresento. Este é o meu joelho.
— Não. Eu digo, você...
— Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a perna toda você ia pedir referências. Ti-au.
Você: a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças; b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.
Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um HQEH. Se você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que teste é coisa de veado.
Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin. O que seria deste pais se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou Morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? 0 Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem que é Homem é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa, assim, extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de mulher pra dar pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.
HQEH nunca vai a vernissage.
HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu a Marguerite Yourcenar e não vai ler a Marguerite Yourcenar.
HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.
Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira, entradas para um espetáculo de mímica.
Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton", "Vamos ao balé?", "Prove estas cebolinhas".
Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf".
Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.
HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já conseguiu a adesão de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha de regeneração do macho brasileiro.
Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer coisa de veado.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Nao tenho nada a dizer e nem nada disse, nem leiam..., rsrsrs
Então amigos, volto aos meus textos bissextos e episódicos, sei que são quase sinônimos, mas gosto do efeito das duas palavras juntas, rsss...
Bom, vamos lá, frio, muito frio, frio demais, mas tá bom.
O Reni fez isto, fez aquilo, não fez isto, devia fazer aquilo, prometeu, cumpriu, não cumpriu, ou seja, nada de novo, de noticia mesmo, nada, só a velha rotina.
A cidade continua andando como sempre andou, as coisas podem ficar um pouco melhores ou piores, mas nada de espantoso, nem de bom e nem de ruim, afinal todos sabemos que as opiniões extremadas tendem a ser de caráter político-partidário, a favor ou contra, e estou velho demais para me sensibilizar com quaisquer arroubos de “superlativismo” fabricado, que vai do elogio sem pudor, na maioria das vezes pago, até a critica raivosa, por quem não é mais pago, mais ou menos assim; se venta fecho a janela, se esquenta abro, e a vida continua.
Ah, tem a visita do Papa. Legal, que bom, e só. Sorte do governo e da Globo, que podem substituir a pauta dos “vandalismos” com uma overdose de imagens da visita do Sumo Pontífice dos católicos.
Acabou a Copa das Confederações, entra o Papa, e "La nave vá..", para onde, ninguém sabe.
No mais, bons vinhos, sopas quentes, muito agasalho, muito assunto sobre frio, o pessoal das redes sociais mais felizes com a oportunidade de falar sobre a temperatura e suas consequências. Legal, todos precisamos nos expressar, tendo ou não algo irrelevante para falar, não importa, pois na maioria das vezes falamos para nós mesmos, os outros somente funcionam como espelhos involuntários.
E assim sendo, encerro por aqui, por não ter mais nada a dizer, aliás, nem tinha nada a dizer e nada disse, só conversa fiada, deve ser o frio, o Papa, o Reni, o tédio, sei lá, rsssss...
Bom, vamos lá, frio, muito frio, frio demais, mas tá bom.
O Reni fez isto, fez aquilo, não fez isto, devia fazer aquilo, prometeu, cumpriu, não cumpriu, ou seja, nada de novo, de noticia mesmo, nada, só a velha rotina.
A cidade continua andando como sempre andou, as coisas podem ficar um pouco melhores ou piores, mas nada de espantoso, nem de bom e nem de ruim, afinal todos sabemos que as opiniões extremadas tendem a ser de caráter político-partidário, a favor ou contra, e estou velho demais para me sensibilizar com quaisquer arroubos de “superlativismo” fabricado, que vai do elogio sem pudor, na maioria das vezes pago, até a critica raivosa, por quem não é mais pago, mais ou menos assim; se venta fecho a janela, se esquenta abro, e a vida continua.
Ah, tem a visita do Papa. Legal, que bom, e só. Sorte do governo e da Globo, que podem substituir a pauta dos “vandalismos” com uma overdose de imagens da visita do Sumo Pontífice dos católicos.
Acabou a Copa das Confederações, entra o Papa, e "La nave vá..", para onde, ninguém sabe.
No mais, bons vinhos, sopas quentes, muito agasalho, muito assunto sobre frio, o pessoal das redes sociais mais felizes com a oportunidade de falar sobre a temperatura e suas consequências. Legal, todos precisamos nos expressar, tendo ou não algo irrelevante para falar, não importa, pois na maioria das vezes falamos para nós mesmos, os outros somente funcionam como espelhos involuntários.
E assim sendo, encerro por aqui, por não ter mais nada a dizer, aliás, nem tinha nada a dizer e nada disse, só conversa fiada, deve ser o frio, o Papa, o Reni, o tédio, sei lá, rsssss...
sábado, 13 de julho de 2013
O aleijão do superlativo bizarro ou uma confissão de que nada sei...
Nós latinos temos um carinho desmedido, exagerado até, pelo superlativo. Herança cultural, trópicos, sol, resquício do romantismo mediterrâneo, sei lá, mas que temos é inegável e visível.
No entanto, neste nosso Brasil varonil e curioso, o superlativo está atingindo o “estado da arte”, deixou de ser um mero e impensado exagero para ser uma espécie de besta insana que esmurra as frágeis portas do bizarro.
Vejam vocês, basta um ator ou atriz iniciante, ou um cantor calouro qualquer emplacar uma novela ou uma música, para virar um “monstro sagrado”, seja nos palcos ou na telinha, e mais, basta um menino com algum talento, fazer um gol qualquer em uma partida qualquer de um campeonato de futebol qualquer, para virar herdeiro das mais “sagradas tradições futebolísticas nacionais”. A chamada crônica esportiva está cheia de “humoristas” superlativos.
Mas não para aí o gosto pelo exagero patético, até nas redes sociais, uma citação de inspiração mediana, acompanhada de uma boa foto, assume ares de verdade inscrita a fogo nas tábuas da lei de Moisés, e uma gracinha, que mereceria um meio sorriso divertido e condescendente, provoca gargalhadas assustadoras, dignas de um “serial killer” de filme norte americano, tal o número de “KKKKK” cometidos por dedos nervosos...
De política nem falo, é de lado a lado, Deus e diabo, céu e inferno, bons e maus, o meio termo e a reflexão é pecado mortal e coisa de fracos.
Pois é queridos amigos, vejo que a essência tímida e com substância, mesmo sendo pouca, foi definitivamente substituída pela forma estridente, escandalosa e fátua.
Ok, que assim seja, quem sabe até este texto não tenha sido superlativo? Vá saber, não sei de mais nada, ou talvez nunca soube...
No entanto, neste nosso Brasil varonil e curioso, o superlativo está atingindo o “estado da arte”, deixou de ser um mero e impensado exagero para ser uma espécie de besta insana que esmurra as frágeis portas do bizarro.
Vejam vocês, basta um ator ou atriz iniciante, ou um cantor calouro qualquer emplacar uma novela ou uma música, para virar um “monstro sagrado”, seja nos palcos ou na telinha, e mais, basta um menino com algum talento, fazer um gol qualquer em uma partida qualquer de um campeonato de futebol qualquer, para virar herdeiro das mais “sagradas tradições futebolísticas nacionais”. A chamada crônica esportiva está cheia de “humoristas” superlativos.
Mas não para aí o gosto pelo exagero patético, até nas redes sociais, uma citação de inspiração mediana, acompanhada de uma boa foto, assume ares de verdade inscrita a fogo nas tábuas da lei de Moisés, e uma gracinha, que mereceria um meio sorriso divertido e condescendente, provoca gargalhadas assustadoras, dignas de um “serial killer” de filme norte americano, tal o número de “KKKKK” cometidos por dedos nervosos...
De política nem falo, é de lado a lado, Deus e diabo, céu e inferno, bons e maus, o meio termo e a reflexão é pecado mortal e coisa de fracos.
Pois é queridos amigos, vejo que a essência tímida e com substância, mesmo sendo pouca, foi definitivamente substituída pela forma estridente, escandalosa e fátua.
Ok, que assim seja, quem sabe até este texto não tenha sido superlativo? Vá saber, não sei de mais nada, ou talvez nunca soube...
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